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Liberdade | Democracia

#Educação: Cota não é solução, é retrocesso e agravamento das diferenças.

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RACISMO UNIVERSITÁRIO vs. IGUALDADE RACIAL - O governo do PT não pestaneja na hora de derrubar um dos mais importantes fundamentos da democracia, a de que todos são iguais perante a lei. No campo dos impostos vemos um verdadeiro festival de “desonerações” em que só alguns setores da indústria são beneficiados, enquanto todo o resto da sociedade paga por isso, e, é claro, sob a parcela dos que não tem “desoneração” recai o custo deste benefício especial feito só para alguns.
Não muito diferente disto é a situação das chamadas “cotas” raciais para ingresso nas universidades. Claramente o governo cria uma regra para uns, e injustiça outros. Imaginem a confusão na hora de determinar quem é negro, e quem não é, em um país marcado pela miscigenação de etnias, em que índios, negros, e imigrantes de várias regiões do mundo (principalmente Europa, Oriente Média, Ásia) se misturam para formar a nossa lindíssima etnia brasileira, que é um exemplo para o mundo todo de integração e tolerância étnica. Afinal tem direito a cota quem é 30% de origem africana negra e 70% de outras etnias? Tem direito a cota quem é 45% de origem africana negra e 30% de origem indígena sul americana e 25% do oriente médio? E quem tem origem no pessoal prá lá de bronzeado do sul da Itália, com um avô negro e uma avó índia? É negro? É pardo? É o que? Tem que ser “negro puro”? E em estados como o Rio Grande do Sul em que a população de origem negra é muito pequena? Qual o sentido destas “contas” para os gaúchos?
As cotas raciais muito facilmente caem no ridículo ao se confrontarem com a realidade mestiça do Brasil. A única coisa que estas “cotas” vão conseguir realmente promover é o enfraquecimento da noção de mérito e o surgimento de um racismo universitário que nunca existiu, pois agora alunos competem em desigualdade e aqueles que conseguirem provar que são predominantemente originários de uma determinada etnia terão vantagem.
É muito difícil imaginar que em sã consciência uma jurista de alto preparo e inteligência possa defender que alunos sejam tratados de forma diferente no ingresso a universidades com base na origem étnica, isto está muito próximo de algumas teses nazistas de “pureza racial”, que preferiam uns a outros com base em um suposto critério de preferência por pessoas que representassem a “raça pura ariana”.
De maneira muito lamentável vemos este “racismo universitário” surgir no Brasil em pleno século 21. Nos EUA, onde os problemas com racismo são muito conhecidos no mundo todo, e onde o presidente da República é de origem negra, as cotas são proibidas, justamente por violarem princípios básicos de igualdade perante a lei. Lá as universidades fazem ações nos bairros pobres das cidades menos privilegiadas em busca de talentos e dão bolsas para aqueles alunos menos favorecidos mas que tem excelente desempenho.
Os talentos brasileiros estão abandonados, não existem programas que com eficiência selecionem e dêem treinamento específico para os talentos do atletismo, do ballet ou da música clássica. Os alunos muito jovens que tem aptidão acabam sendo desenvolvidos por conta de suas famílias, que identificam esta aptidão. Mas então por que estamos implementando no Brasil uma política que reconhecidamente não é justa, nem melhora a condição dos mais necessitados? É possível que a resposta seja bem simples: POPULISMO BARATO.
Cotas raciais não tem nada a ver com justiça social ou com justiça história, são uma distorção absurda e mal elaborada. O que é preciso no Brasil é reforçar o conceito de MÉRITO, aqueles que querem muito, que tem aptidão merecem uma chance, e a por estes muito pouco é feito de fato.

Nos EUA, cotas são ilegais, mas universidades adotam ações afirmativas

Medidas são amplamente utilizadas por instituições de ensino americanas para recrutar alunos desde os anos 1970.

Pouco antes de terminar a escola secundária, Shirley J. Wilcher nunca havia imaginado frequentar o prestigioso Holyoke Mounts College, em Massachusetts.

Beneficiada por ações afirmativas que lhe permitiram entrar em instituições até então apenas frequentadas pelos brancos, ela não apenas obteve seu bacharelado com honras, como continuou os estudos e obteve um mestrado na New School for Social Research, em Nova York, e um doutorado em Jurisprudência, Juris Doctor, em Harvard.

“Ações afirmativas são isso, lançar uma rede ampla para recrutar pessoas: por exemplo, ir a uma escola pobre no centro da cidade e falar com os professores, o que minha universidade fez”, disse Wilcher, hoje diretora-executiva da Associação Americana para Ações Afirmativas (AAAA), à BBC Brasil. “É reconhecer os talentos e dar oportunidades.”

Ações como as que resultaram na admissão de Wilcher em uma das universidades mais concorridas dos EUA são medidas amplamente utilizadas por instituições de ensino americanas para recrutar seus alunos desde os anos 1970.

Contrariando a crença de muitas pessoas fora dos EUA, as cotas numéricas são ilegais no país (apenas “metas” não obrigatórias são adotadas por empresas com contratos federais). Mas as principais universidades levam em conta fatores qualitativos – como status de minoria ou origem socio-econômica – para escolher alguns estudantes em detrimento de outros.

“As ações afirmativas não são inconsistentes com o mérito”, argumenta Wilcher. “Estas universidades só recrutam bons estudantes que estão no topo da lista. Meus colegas da faculdade de Direito de Harvard todos se graduaram com honra em seus bacharelados.”

Litígio

Mas, como no Brasil, a aplicação destes critérios nos EUA está longe de ser uma unanimidade. Da mesma forma que as iniciativas brasileiras vão a julgamento no Supremo, em Brasília, também tem cabido à corte de maior hierarquia nos EUA o papel de definir a forma e o escopo das ações afirmativas.

Atualmente, vigora o entendimento da Suprema Corte americana em duas decisões tomadas conjuntamente em 2003, quando estava em julgamento o sistema de ações afirmativas da Universidade de Michigan.

Em um dos casos (Gratz x Bollinger – Lee Bolinger era o diretor da instituição), a Corte derrubou uma atribuição de 20 pontos para alunos de minorias étnicas no sistema de admissões da Universidade, um quinto do necessário para aceitação automática.

O tribunal manteve uma decisão de 1978 que proibía vantagens numéricas para as minorias – assim banindo, por exemplo, cotas.

Ao mesmo tempo, em outro caso (Grutter x Bollinger), a Corte entendeu que a Universidade tinha o direito de fazer sua seleção com o objetivo mais vago de criar uma “massa crítica” de minorias sub-representadas em suas salas de aula, em especial negros e hispânicos.

“O Supremo enfocou, mais que nada, a questão da diversidade na educação superior, na necessidade de ter um corpo estudantil diverso, que prepare os estudantes a trabalhar em um país cada vez mais diverso”, diz Wilcher.

“Até o meio deste século, metade de todos os americanos serão pessoas de cor, portanto a diversidade, para nós, é um tema nacional.”

Oposição

Ao proferir a sentença, o Supremo disse acreditar que a decisão valeria por 25 anos – mas a verdade é que o tema nunca saiu de pauta, e a Corte deve voltar a ela muito mais cedo que esperado.

Em outubro próximo, os nove juízes vão ouvir o argumento que coloca no banco dos réus as ações afirmativas da Universidade do Texas.

Só que, hoje, a formação de magistrados dá uma maioria de cinco para os conservadores – o que para ativistas de direitos civis traz o risco de uma reversão das decisões da mesma corte oito anos atrás.

Intelectuais como o economista – negro – Thomas Sowell, da Universidade de Stanford, Califórnia, são frontalmente contra ações afirmativas. Em seu livro “Ações Afirmativas ao Redor do Mundo: Um Estudo Empírico”, Sowell argumenta que não há indicadores que apoiem o sucesso das políticas afirmativas.

“Alunos de minorias aceitos sob resultados reduzidos (1) não têm desempenho tão bom quanto os de outros estudos, (2) não chegam à graduação e (3) não têm desempenho tão bom em suas carreiras após terminar a universidade”, escreve. Ele não estava disponível para entrevistas.

O intelectual rejeita a teoria da “massa crítica”, utilizada pela Universidade de Michigan em 2003, segundo a qual só a multiplicação de estudantes provenientes de minorias (a massa crítica) os fará sentir mais à vontade no ambiente acadêmico, melhorando seu desempenho.

Para Sowell, a prova de que a teoria é “contraproducente” são as histórias de negros que, ao conquistar lugares antes só reservados aos brancos, são acusados de “se embranquecer”.

“As ações afirmativas nos EUA fizeram negros que saíram da pobreza por seus próprios esforços parecer que devem o seu reconhecimento a programas oficiais”, defende.

Representatividade

Esta linha de pensamento ecoa em muitos Estados onde as universidades são proibidas de levar em conta aspectos de “raça” para admissão de estudantes, como a Califórnia e, desde 2006, Michigan.

Por causa da lei de 2006 em Michigan, a representatividade de negros caiu 51% entre 2005 e 2010 na Faculdade de Direito da Wayne State University, segundo a coalizão de defesa das ações afirmativas BAMN (“By Any Means Necessary”, ou Por Qualquer Meio Necessário).

Ao mesmo tempo, a representatividade de negros na Faculdade de Medicina caiu 55% no mesmo período.

Na Califórnia, onde as ações afirmativas foram banidas de vez após um referendo em 1996, a representatividade de negros e hispânicos caiu entre 1995 e 2000 nos campi mais prestigiosos, como Los Angeles e Berkeley, mas aumentou em unidades como Riverside e Santa Cruz.

Mas para Donna Stern, da coalizão BAMN, o aumento estatístico das minorias nas universidades californianas é insignificante, já que mais da metade dos alunos que terminam a escola secundária no Estado são hispânicos ou negros.

“Não é viável ter um sistema em que as melhores universidades são reservadas para os brancos”, diz a ativista.

“O ataque contra as ações afirmativas é uma tentativa da direita deste país de cimentar seu privilégio, porque eles sabem que, numericamente, estão a ponto de se tornar a minoria.” BBC Brasil – Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,nos-eua,-cotas-sao-ilegais,nos-eua-cotas-sao-ilegais-mas-universidades-adotam-acoes-afirmativas,865321,0.htm

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Written by onyxlorenzoni

abril 26, 2012 às 12:06 pm

Uma resposta

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  1. Caro Deputado,
    hoje é o primeiro dia que visito seu blog e como o seu Facebook já está lotado e não posso adicioná-lo como amigo, vou postar aqui o que penso e tenho compartilhado em minha página.acerca destes assuntos.
    Na condição de doutorando, reflito muito sobre a qualidade do ensino brasileiro e o que poderíamos fazer para elevá-lo ao nível dos países desenvolvidos. É consenso entre os pós-graduandos que o nível dos programas de pós-graduação tem diminuído em função da qualidade dos alunos ingressantes. Ocorre que a política do governo prioriza números quantitativos (vagas) e muito pouco a qualidade do ensino, ou seja, para ingressar na pós-graduação já não é necessário um bom currículo e boas notas, basta ser graduado e, ainda assim, sobram vagas e bolsas de estudos (pelo menos essa é a realidade do programa em que estudo (PPGCS-UFSM). Dessa forma, alunos menos qualificados ingressam e diluem o potencial dos programas e, nos cursos de graduação, acontece o mesmo. Isto é, o processo não está sendo eficiente e tem reações em cadeia. Por tais razões me coloco veementemente contrário ao sistema de cotas nas universidades federais nos moldes propostos. Imaginem a heterogeneidade de preparo dos alunos em uma sala de aula. Imaginem que aqueles que passaram fora do sistema de cotas terão de ouvir aulas de nível “chovendo no molhado” porque, se não, 50% da turma reprovará. Sabemos que nenhum professor reprova 50% dos alunos para não congestionar o sistema. E como fica o potencial não aproveitado daquela metade que entrou melhor preparada nas universidades? Sempre que faço uma crítica, procuro fazer uma proposta, do contrário, não tem sentido. Para garantir o acesso de uma classe social que sofre as consequências de governos anteriores que não se preocuparam em proporcionar um ensino básico, fundamental e médio de qualidade e que devem sim ter acesso ao ensino superior para conquistarem uma profissão e saírem das classes desfavorecidas, estes que passam pelo sistema de cotas deveriam ter um ano intermediário, de nivelamento, em que se revisasse todo os conteúdos ministrados no ensino médio. Em sendo aprovados nesta etapa, estariam aptos a iniciar efetivamente o ensino superior e assim não se comprometeria tanto a qualidade das aulas de graduação, formariam-se mais qualificados, abastaceriam melhor os programas de pós-graduação e a reação em cadeia inverteria-se para um polo positivo.

    Hoje, 20 de novembro de 2012, postei ao Deputado Federal Romário a minha opinão frente ao compartilhamento que ele fez em alusão ao Dia da Consciência Negra.
    Eu sou a favor da igualdade. Sou descendente de europeus e qualquer comentário da minha parte no dia de hoje, por eu ter olhos claros, poderia ser mal interpretado. Quero manifestar apenas que vivemos em um país com uma das maiores miscigenações do mundo. Assim como os negros, tenho orgulho das minhas origens. Podem me chamar de branquelo, polaco, alemão batata, pouco importa enquanto isso não tiver cunho pejorativo. Afinal, sou o que sou. E em falando de igualdade, nada pode trazer mais igualdade a um país do que a educação. Educação básica de qualidade. Através dela que as pessoas aprenderão a se respeitar, a ver uns aos outros apenas como humanos. É através de um ensino básico de qualidade que os alunos de escolas públicas e privadas disputarão taco a taco os bancos universitários. Eu tenho um filho de 7 anos e me vejo obrigado a pagar R$ 500,00 de mensalidade a um colégio particular porque o governo não cumpre com o que está escrito na constituição. Entretanto, quando meu filho chegar na idade de prestar vestibular, só restarão 50% das vagas para ele concorrer, por culpa minha! Por eu ter priorizado a educação dele desde pequeno, quando ele chegar a vida adulta, ele terá sido, de alguma forma, punido. Isso é justo?
    Espero que aqueles que lerem meu comentário de fato entendam a minha mensagem.
    Se quiserem ver uma parte da história do Brasil, que muitos certamente não conhecem e que foi, no mínimo, tão sofrida quanto a vida dos escravos, quando tiverem 36 minutos de tempo, assistam a esse documentário que coloco em anexo. Grato.

    Gustavo Griebeler

    novembro 20, 2012 at 9:18 pm


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