Blog do Onyx

Liberdade | Democracia

#CPMI do Cachoeira não acabará em ‘pizza’ @JC_RS

leave a comment »

Onyx garante que CPMI do Cachoeira não acabará em ‘pizza’

Deputado federal garante que os trabalhos do colegiado vão gerar resultados concretos (Foto: MARCO QUINTANA/JC)

Único gaúcho na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM) garante que os trabalhos do colegiado vão gerar resultados concretos. “Acredito que esta CPMI, pelas características dos seus membros, como pizza não vai servir”, afirmou. No entanto, o parlamentar reconhece que é impossível não haver disputas políticas em uma comissão de deputados e senadores que investigam irregularidades. Onyx – que também participou da CPI dos Correios, em 2005 – aponta que a Polícia Federal (PF), com as operações Vegas e Monte Carlo, investigou exclusivamente as operações do contraventor Carlinhos Cachoeira com o jogo do bicho e máquinas de caça-níqueis. Para ele, a CPMI irá avançar e conseguirá obter “dados fora do universo investigado pela PF”.

Em entrevista ao Jornal do Comércio, o deputado ressaltou que a comissão precisa apurar qual foi a relação entre o grupo comandado por Cachoeira e a empreiteira Delta, apontada pela PF como braço financeiro do esquema. “Temos que esclarecer se isso foi uma associação ou se todos faziam parte do mesmo esquema.” Apesar do acordo que livrou governadores de depor na CPMI, Onyx está seguro de que Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ), citados por manter relações com Cachoeira, serão convocados para prestar esclarecimentos em algum momento. O deputado também é presidente estadual dos Democratas e afirma que o seu partido deverá consolidar uma aliança com o PSDB para concorrer à prefeitura de Porto Alegre.

Jornal do Comércio – A CPMI do Cachoeira completou um mês de trabalhos. O que de concreto a comissão conseguiu apurar?

Onyx Lorenzoni – O primeiro passo para fora da operação Vegas e Monte Carlo foi dado quinta-feira pela CPMI, com a quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico de todas as empresas que estavam citadas no inquérito e a quebra de sigilo de todas as pessoas ligadas à operação do Cachoeira. Convocamos mais de 40 pessoas que vão depor na CPMI e fizemos o compartilhamento com a operação Saint Michel, feita pelo Ministério Público do Distrito Federal, que pega outras conexões que envolvem a empresa Delta Construções. Agora nós vamos abastecer o nosso banco de dados e vamos poder utilizar um sistema de rastreamento do Senado Federal que faz toda a espécie de cruzamento solicitado. A partir daí, iremos começar a ter dados fora do universo investigado pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público, que dizem respeito exclusivamente às operações de máquinas (de jogo) que eram comandadas por Cachoeira. Agora, vamos avançar para fora disso.

JC – CPMI conseguirá avançar os trabalhos já realizados pela PF em relação ao esquema de Cachoeira?

Onyx – Ela começa a ter um grau de entendimento das pessoas que atuam na CPMI que poderá nos levar a isso. Antônio Fernando de Souza, procurador-geral da República na época do mensalão, fez uma análise, em segredo de Justiça, que correu em paralelo à CPI dos Correios. Ele chegou a um relatório final igual ao caminho tortuoso que é natural da investigação parlamentar. Se pegarmos o relatório do Osmar Serraglio (PMDB-PR, relator da CPI dos Correios) e sobrepusermos ao relatório do Antônio Fernando de Souza, são coincidentes em 97% das afirmações e conclusões, ou seja, eles são iguais do ponto de vista prático. Tanto que indicamos perto de 50 pessoas, o procurador indicou 40 e chegou à mesmíssima conclusão. Acredito que esta CPMI, pelas características dos seus membros, como pizza não vai servir. Não tem como haver uma comissão de inquérito sem disputa política, mas que ela tem capital humano e condições para dar resultado, disso não tenho dúvida.

JC – O senhor observa divisão na CPMI do Cachoeira: um grupo querendo investigar as relações do bicheiro com políticos, governadores e a empresa Delta e outro pedindo o comparecimento do procurador-geral e de representantes da imprensa?

Onyx – O PT havia feito o roteiro inicial sobre o qual ele iria assentar o trabalho da CPMI. E o roteiro fala em fragilizar ou confrontar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, trazer o editor da Veja, Policarpo Júnior, com o objetivo de, a partir do que pudessem produzir na CPMI, reforçar o controle social da mídia, que setores importantes do PT defendem. E tinha também como objetivo atingir o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), porque ele foi a única autoridade que, sob juramento, ligou o ex-presidente Lula ao esquema do mensalão, pois avisou o presidente antes que explodisse o escândalo com testemunhos. Esses eram os três alvos, ou o roteiro de objetivos do PT. Na medida em que a CPMI está andando, algumas coisas vão sendo superadas, como a questão do Policarpo Júnior e da Veja, que está praticamente afastada a possibilidade do depoimento. O delegado Matheus (Mella Rodrigues, da PF que liderou a operação Monte Carlo), perguntado por vários parlamentares na sessão secreta, afirmou de maneira peremptória que não há crime nas ações do jornalista, que estava investigando atrás de informações, o que é normal. Resolvemos a confrontação com o Ministério Público Federal com a consulta por escrito à Procuradoria-Geral da República, que tem um prazo para responder.

JC – Não haverá prejuízos sem o depoimento do procurador-geral da República, Roberto Gurgel?

Onyx – De jeito nenhum. Há uma dificuldade: se ele comparecesse como testemunha, ele estaria impedido de processar todos aqueles que nós da CPMI sugeríssemos pelo indiciamento. Ele teria que transferir para outra pessoa essa função e isso não é razoável. E essa queda de braço entre o PT e procurador se deve ao mensalão.

JC – A comissão terá peso político e conseguirá convocar em algum momento para depor os governadores?

Onyx – Não tenho nenhuma dúvida de que os três governadores sentarão na CPMI. Minha dúvida é zero. Tanto os membros do PT, PSDB, PMDB – fora daquilo que é articulado pelas lideranças – ponderam e até eu mesmo como oposição pondero: botar um governador lá é uma perda de tempo, porque não temos os dados oriundos dos sigilos quebrados e dos cruzamentos de dados. Temos hoje um conjunto de provas objetivas em relação a jogo em Goiás e no Distrito Federal. E temos um conjunto de indícios em relações que apontam tráfico de influência, corrupção e favorecimento em licitações. Há um conluio entre a máfia do Cachoeira e a Delta e temos que esclarecer se isso foi uma associação ou se todos faziam parte do mesmo esquema.

JC – A CPMI do Cachoeira reconduziu o foco para a legalização do jogo. O senhor é a favor da legalização, como forma de enfraquecer esse tipo de poder?

Onyx – Eu sou amplamente favorável ao jogo, que deveria ser livre no Brasil, como já foi, e é na maioria absoluta dos países em áreas turísticas. Pode haver um cassino, por exemplo, em Gramado, Canela, Torres ou Chuí, qual é o problema? Basta ter controle público, fiscalização permanente, geram-se milhares de empregos e se consolidam destinos turísticos. O Uruguai está aí para confirmar essa tese. Não vejo nenhuma razão para não haver a legalização do jogo no Brasil, até porque hoje o maior banqueiro brasileiro é a Caixa Econômica Federal. A rigor, o maior bicheiro do País é a CEF. Então por que o governo pode bancar um megacassino no Brasil? Todos nós apostamos na Mega, na Sena, na Loto, na Timemania. Por que não pode ter jogo no Brasil?

JC – O Democratas perdeu recentemente o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que criou o PSD.

Onyx – Graças a Deus, e o tempo vai provar: no final do ano, ele (Kassab) perde a caneta, vamos ver onde vai estar daqui a algum tempo, se vai ter alguma relevância nacional ou vai estar circunscrito a São Paulo. Onde tivemos um grande prejuízo foi em Santa Catarina.

JC – Na Capital, o DEM apresentou a pré-candidatura do deputado estadual Paulo Borges. A parceria com o PSDB vai sair?

Onyx – O Democratas tem candidaturas em Porto Alegre desde 2000. Primeiro foi o (ex-deputado federal Germano) Bonow, depois tive a honra de representar o partido por duas vezes e agora estamos com a candidatura de Paulo Borges colocada. Acredito que até o final do mês ou na primeira semana de junho tenhamos uma definição. A ideia é fazermos uma aliança com o PSDB, há o desejo de ambos os partidos.

JC – Como avalia o governo da presidente Dilma Rousseff (PT)?

Onyx – O governo Dilma ainda surfa nessa situação favorável que a economia brasileira viveu na última década quando uma série de commodities se valorizou exponencialmente no mundo, como minério de ferro, soja, carne. Temos US$ 80 bilhões que é o que o setor primário contribui para que os números sejam positivos. Mas, ao longo dos últimos dez anos, nunca houve antes neste País um inchaço tão grande da máquina pública, um comprometimento tão violento do endividamento interno do Brasil. Quando começou o governo Lula, no primeiro ano, o brasileiro nascia devendo R$ 4.900,00. Um brasileiro que nascesse no início deste ano, já deveria R$ 10 mil. Um dia essa conta vai ser cobrada.

JC – E a gestão do governador Tarso Genro (PT)?

Onyx – O governador se vendeu para a população do Rio Grande do Sul com uma tese que tinha lógica e, somada à fragilidade dos seus oponentes na última eleição, teve sucesso. Embalado também pelo desempenho da Dilma, ele ganha no primeiro turno. Só que 21 dias depois, o Rio Grande do Sul derrota Dilma. Viramos quase 600 mil votos no Rio Grande do Sul (a favor de José Serra, do PSDB), o que demonstra que, se tivéssemos montado um projeto mais consistente no primeiro turno, muito provavelmente Tarso Genro não seria governador. Mas ele é o governador, de forma legítima e democrática. Ele prometeu que o alinhamento das estrelas transformaria a vida dos professores, dos policiais militares, do funcionalismo público e dos gaúchos num paraíso. Tarso mentiu, enganou e iludiu. Para mim, que enfrento o PT há muitos anos, não é novidade, mas para muitos foi. Acredito que ele não vai ficar iludindo todos o tempo todo.

JC – É a favor do financiamento público de campanha como forma de coibir a corrupção?

Onyx – Sou amplamente favorável ao financiamento público de campanha porque há uma razão técnica para isso. No Brasil hoje, cada vez é mais difícil uma pessoa com boas ideias e projetos e que faça a escolha por uma vida ética e moralmente limpa conseguir chegar (a um cargo eletivo). Hoje, lamentavelmente, cada vez mais, os esquemas, quer de financiamento escuso de campanha, quer de corrupção, têm influência. O grande patrocinador da corrupção no Brasil não são os legislativos, é o Poder Executivo, pois 64% de todo o dinheiro dos impostos estão na mão do governo federal. Por que a Dilma tomou uma vaia dos prefeitos? Porque eles não aguentam mais. O governo só manda encargos para as prefeituras e elas não têm mais de onde tirar dinheiro. Os grandes escândalos de corrupção estão no governo federal. O governo foi loteado, cada ministério se transformou num feudo, com licença para roubar.

JC – Como assim?

Onyx – O governo Dilma agora quer votar o Regime Diferenciado de Contratações (RDC), aprovado para as obras da Copa, para as creches que anunciou (do programa Brasil Carinhoso). Ela quer o RDC, que é licença para roubar dinheiro público, com o argumento de que vai fazer creche. O RDC é uma roubalheira e quem diz isso também é o Ministério Público Federal. É a negação da 8.666, que é a Lei das Licitações. A presidente Dilma pilota um governo que traz esse germe da incompetência. Tudo isso para dizer que o financiamento público de campanha tem um fator importantíssimo: o recurso iria para o partido. Daí, tem que estar casado com o voto em lista e não aberto, como é hoje. Compõe-se uma lista definida pelo partido e deve-se dar ao eleitor a possibilidade de remanejá-la, votando no número do partido e depois no do deputado. O recurso do financiamento vai para o partido e o Tribunal de Contas controla cada centavo. Por isso, o financiamento público de campanha, por algumas eleições, pode dar uma faxinada na vida pública brasileira.

PERFIL – Onyx Dornelles Lorenzoni nasceu em Porto Alegre e tem 57 anos. É veterinário formado pela Ufsm, com pós-graduação na Universidade da Califórnia (Estados Unidos). Seu contato com a política se intensificou depois que ele se formou em Veterinária e integrou a diretoria de diversas instituições da profissão. Com a sua atuação em entidades de classe, surgiu o convite para se filiar ao Partido Liberal (PL) em 1987. Ficou por dez anos na sigla e concorreu pela primeira vez em 1990, quando se candidatou a deputado estadual. Em 1992, representou o PL na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Dois anos mais tarde obteve seu primeiro êxito nas urnas ao se eleger deputado estadual. Foi reeleito em 1998, quando já integrava o então Partido da Frente Liberal (PFL). Em 2002, garantiu seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e em 2006 foi reeleito. O PFL mudou o nome para Democratas (DEM) e Onyx concorreu pela legenda em 2008 à prefeitura da Capital. Hoje, além de deputado federal, é presidente estadual do DEM e vice-presidente nacional do partido.


Autor: Juarez Sant’Anna
Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=93837

Fonte: Jornal do Comércio

Anúncios

Written by onyxlorenzoni

maio 21, 2012 às 11:29 am

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: