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O governo federal já foi capaz de construir uma Capital e hoje não é capaz de fazer reformas num aeroporto

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Deputado Federal Onyx Lorenzoni durante sessão da CPI DO CACHOEIRA. O único gaúcho nesta CPI. “Eu e meu parceiro de trabalho, o chimarrão gaúcho.”

“O governo federal já foi capaz de construir uma Capital e hoje não é capaz de fazer reformas num aeroporto” Onyx

Entrevista por Samir Oliveira para o Sul21.

O deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS) é um fiel defensor de seu partido. Ele afirma que o Democratas dá um exemplo ao país ao expulsar filiados acusados de corrupção, como o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o senador Demóstenes Torres.

Mas o parlamentar gaúcho critica a falta de protagonismo do partido – referência da direita no país – na vida política nacional. “A centro-direita no Brasil não teve candidato nas duas últimas eleições. É preciso de candidatura para representar essa parcela importante da população brasileira”, observa.

Para Onyx, quando se trata de eleições nacionais, o DEM tem andado a reboque dos tucanos, que ele diz representarem um projeto de centro-esquerda. “O Democratas fica a reboque do projeto de centro-esquerda do PSDB, extremamente similar ao do PT. Evidentemente que as eleições ficam sem contraponto”, analisa.

Nesta entrevista ao Sul21, o deputado avalia o andamento dos trabalhos na CPI do Cachoeira, da qual ele faz parte, e comenta a adesão do DEM à candidatura do prefeito José Fortunati (PDT) à reeleição em Porto Alegre. O partido irá confirmar nesta segunda-feira o embarque no palanque pedetista.

“Estamos indo para um bloco de partidos com amplo arco ideológico com o claro objetivo de impedir que o PT retorne à prefeitura”, explica. “O DEM mandou um recado muito claro para os corruptos: Caiam fora do partido”

Sul21 – Como o senhor avalia o andamento dos trabalhos na CPI do Cachoeira?

Onyx LorenzoniA CPI, quando quebra os sigilos fiscal, bancário e telefônico da sexta maior empreiteira do Brasil, dá um passo gigante que em nenhum momento foi dado nos últimos 30 anos. Fala-se muito de corruptos e alguns deles já foram para a cadeia, muito menos do que eu acho que deveria ir. Mas fala-se muito pouco nos corruptores. Pelas análises da Polícia Federal e do Ministério Público, a Delta é um suposto corruptor. Esse vai ser um fato novo que a CPI vai poder revelar para o Brasil.

Sul21 – A investigação não fica prejudicada por disputas políticas entre o PT e o PSDB?

Onyx – As CPIs são feitas no âmbito de uma disputa política permanente entre oposição e situação em uma democracia. Isso tem que ser compreendido com naturalidade. Nesta semana, a oitiva dos governadores foi um fato raríssimo. Não tenho memórias de outros dois governadores que tenham vindo dar explicações em CPIs. Isso não é pouca coisa. É preciso ter paciência, a CPI dos Correios também foi permeada por muita disputa política e está aí, alguns anos depois, o julgamento do mensalão que será julgado no dia 1 de agosto no Supremo.

Sul21 – Que conclusões o senhor acredita que a CPI poderá tomar?

Onyx – É muito cedo, ainda nem recebemos todas as quebras de sigilo. Há mais de 35 que tiveram seus sigilos fiscal, bancário e telefônico quebrados. Muito brevemente o banco de dados da CPI do Cachoeira vai permitir investigações para muito além daquilo que a Polícia Federal e o Ministério Público apontaram na operação Monte Carlo.

Sul21 – E como fica a situação do DEM, já que um dos pivôs das denúncias, o senador Demóstenes Torres, era filiado ao partido?

Onyx – O partido é um exemplo de conduta. Toda vez que nos defrontamos com pessoas que eram ligadas ao partido em atos suspeitos de corrupção, não titubeamos. O Democratas afastou o Demóstenes, assim como no episódio do Distrito Federal afastou o governador. Nenhuma família ou instituição está isenta de que algum de seus integrantes acabe fora da linha. O problema é como a instituição lida com isso. O DEM mandou um recado muito claro para os corruptos: “Caiam fora do partido”. O que é completamente diferente da tradição política brasileira. Todos os partidos protegem, varrem a sujeira para baixo do tapete e depois que passa um certo tempo, fazem festa para receber corrupto de volta. Não é o caso do Democratas.

Sul21 – Na sua avaliação, a oposição no país é mal articulada ou consegue fazer frente ao governo do PT?

Onyx – Numa eleição presidencial onde a diferença entre quem venceu e quem perdeu foi de 10 milhões de votos, e onde 30 milhões de pessoas anularam o voto ou não votaram, significa que há um potencial de crescimento político da oposição. O governo do ex-presidente Lula surfou numa onda de crescimento no mundo inteiro que afetou o Brasil e isso lhe deu duas vitórias eleitorais importantes, a de 2006 e a de 2010, com a presidente Dilma. Mas o cenário brasileiro na continuidade desse processo tem se demonstrado muito preocupante. Há uma incompetência na execução dos projetos, reconhecida pelo governo, que tem excesso de burocracia nas suas ações. A máquina administrativa foi completamente minada por pessoas sem experiência e sem qualificação, cuja única característica é serem partidárias do projeto liderado pelo Lula e pela Dilma. O governo federal já foi capaz de construir uma Capital e hoje não é capaz de fazer reformas num aeroporto. A Dilma confessa isso ao transferir aos estados a possibilidade de fazer obras de grande porte que o governo federal não consegue. Ou, se faz, acaba criando os grandes ralos de corrupção de onde escorrem algo em torno de R$ 80 bilhões por ano, que são tragados do dinheiro público para os corruptos e corruptores.

Sul21 – Nas eleições de 2010, partidos de centro, de centro-esquerda e de esquerda cresceram, como o PSB, que aumentou o número de governadores. E o DEM acabou diminuindo no Congresso Nacional. Por que a direita brasileira não consegue ampliar seu espaço no país?

Onyx – É porque a centro-direita no Brasil não teve candidato nas duas últimas eleições. É preciso de candidatura para representar essa parcela importante da população brasileira. Política é que nem pêndulo. Há dez anos atrás a Europa era uma coisa e hoje é outra. O pêndulo vai mudar e vai bater aqui também.

Sul21 – O DEM não tem apresentado candidaturas à Presidência da República…

Onyx – O partido tem que encarar isso. O Democratas fica a reboque do projeto de centro-esquerda do PSDB, extremamente similar ao do PT. Evidentemente que as eleições ficam sem contraponto. E entre o original e o genérico, pelo mesmo preço, né… Ficam com o original. O partido teria nomes fortes nacionalmente, como senador Agipino (Maia, DEM-RN), o Ronaldo Caiado (deputado federal de GO) e o ACM Neto (deputado federal da Bahia). Temos nomes que podem mostrar ao Brasil quem é possível um outro caminho. Vamos abrir esse assunto internamente logo após as eleições municipais, tenho certeza que iremos discutir com profundidade. Esse é o caminho para fazer com que o partido, talvez em menos de uma década, possa chegar ao poder no Brasil.

Sul21 – Qual avaliação o senhor faz do governo Tarso Genro?

Onyx É um governo de muitas promessas e poucas realizações, mais tarde vai pagar o preço. O Tarso apoiava a PEC 300, de valorização dos policiais civis e militares, e assinou, como ministro, a lei do piso do magistério. Até agora, optou por inchar o governo e não cumprir a palavra dada no passado.

Sul21 – Por que o DEM decidiu apoiar o prefeito José Fortunati em Porto Alegre?

Onyx – Do jeito que a eleição de Porto Alegre está estruturada, pode ser decidida em primeiro turno. O DEM em 2010 acreditava que a eleição teria segundo turno e fomos surpreendidos por uma decisão em primeiro turno da qual ficamos de fora. O governador Tarso Genro ganhou em primeiro turno e 20 dias depois sofreu uma derrota. A presidente Dilma ganhou o primeiro turno com 500 mil votos de diferença e perdeu o segundo turno por 60 mil votos de diferença. Viramos em quase 600 mil votos quando toda a oposição se uniu. Se o PT voltar à prefeitura de Porto Alegre, terá hegemonia total, junto com o Palácio do Planalto e o Palácio Piratini. E o PT corre com duas candidaturas em Porto Alegre, a de Adão Villaverde (PT) e a de Manuela D’Ávila (PCdoB). Estamos indo para um bloco de partidos que tem um amplo arco ideológico com o claro objetivo de impedir que o PT retorne à prefeitura. Nossa posição política é para, no que for possível, decidir a eleição de Porto Alegre no primeiro turno.

Sul21 – Não lhe constrange o fato de o prefeito ter convidado o PT para compor o governo no ano passado?

Onyx – O prefeito estava tentando se viabilizar numa candidatura à reeleição. O fato de ele ter feito alguma sinalização ao PT faz parte dessa geleia geral que virou lamentavelmente o processo político brasileiro. No momento em que ele firma uma posição anti-PT em Porto Alegre – e isso é simbolizado quando ele reúne em sua coligação o PMDB, o PP, o PPS e o DEM -, quando ele resolve assumir um lado, não há nenhuma contradição em apoiarmos esse lado. É uma frente pluripartidária e plurideológica para impedir que o PT volte à prefeitura. O PT fez muito mal à cidade de Porto Alegre. Não queremos que ele volte e a maioria da população também não quer. Por isso o DEM vai integrar o voto que vai evitar a volta do PT na Capital.

Sul21 – Já estava praticamente acertada uma aliança com o PSDB em torno do deputado federal Nelson Marchezan Júnior. O que deu errado?

Onyx – As disputas internas do PSDB implodiram uma aliança que já estava acertada.

Sul21 – A ex-governadora Yeda Crusius, que protagonizou as brigas com o vice Paulo Feijó e o Democratas, patrocina a candidatura de Wambert Di Lorenzo contra Marchezan. O senhor acha que, além da inimizade com o deputado, Yeda também pode estar se movendo por ressentimento contra o DEM?

Onyx – O PSDB já tem problemas demais, não vou criar outro

Fonte: http://advivo.com.br/blog/luisnassif/o-dem-segundo-o-deputado-onyx-lorenzoni

Link do autor: http://sul21.com.br/jornal/2012/06/dem-fica-a-reboque-do-projeto-de-centro-esquerda-do-psdb-critica-onyx/

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Written by onyxlorenzoni

junho 18, 2012 às 4:30 pm

Uma resposta

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  1. Construir Brasilia acabando com nossa malha ferroviária foi o grande e talvez único erro de JK, quanto au atual governo de não ter capacidade para construir ou reformar um aeroporto, ai depende de quanto dá para “roubar”, pois nosso País esta nas mãos de verdadeiros gatunos

    Jorge Gabriel Kuhn

    junho 18, 2012 at 6:53 pm


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