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Liberdade | Democracia

Que sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra!

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Desfile de 20 de Setembro em Santa Maria. Compartilhado do Facebook de Adão Paiani.

Nada melhor que o 20 de Setembro, data de uma revolução separatista protagonizada por produtores rurais oprimidos com impostos abusivos de um governo central, para refletirmos sobre o que aconteceu esta semana na votação da MP do Código Florestal.  Não podemos ter uma regra que faça tábua rasa de contextos de ocupação da terra tão distintos como, por exemplo, a que encontramos no Pará, no Matro Grosso e no Rio Grande do Sul. Não podemos ter uma regra sobre áreas de preservação à margem de rios que ignore as enormes diferenças regionais, os diferentes tipos de produção agropecuária, em alguns situações centenárias, como é o caso dos vinhedos gaúchos, ou de nossos pomares de maçã. Supor que a produção de uvas em Bento Gonçalves, por exemplo, agride os mananciais é absurdo, não leva em consideração o grau de integração da vinicultura gaúcha ao ambiente natural. Estas regras de metragem de áreas de preservação as margens de rios deveriam ser regulamentadas em âmbito estadual. Entretanto, o interesse de setores do governo, que redigiram a referida MP,  está longe de ser ambiental. Poderíamos até mesmo suspeitar que estes setores do governo estariam interessados na lucrativa indústria de multas que criminaliza a produção de alimentos no Brasil. Se aprovada esta MP, agora encaminhada ao Senado, irá se gerar um enorme passivo para os produtores rurais. Se a discussão realmente fosse a preservação de mananciais estaríamos focados na implementação do tratamento de esgotos, que hoje se encontram em situação caótica. Perto de 90% dos esgotos do Brasil são lançados no ambiente sem tratamento algum, contaminando rios e reservas de água do subsolo. Em nosso país 5,4 bilhões de litros de esgoto sem tratamento são jogados no ambiente todos os dias. Este risco é real, reconhecido pelos próprios orgãos do Governo Federal, mas nem de perto é foco da discussão sobre a preservação de recursos hídricos, quando, me parece, o deveria ser. Por muito menos do que se aprovou na Câmara dos Deputados esta semana, na MP do Código Florestal, os gaúchos levantaram suas espadas e fecharam a fronteira em 1835. O separatismo certamente não é a solução para a questão do excessivo centralismo em nosso governo, em 2012. Mesmo assim devemos nos levantar contra as arbitrariedades e excessos que hoje oprimem os produtores gaúchos. Como cantamos em nosso hino riograndense “Que sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra”.

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