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Liberdade | Democracia

Os Porcos de Orwell

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Capa da Pinguin Editions para o clássico “Animal Farm” de George Orwell. Ficção política em que porcos fazem uma revolução de animais no poder, em uma fazenda da Inglaterra, e depois se locupletam deste poder, esquecendo os velhos preceitos do “animalism” que propunha todo poder para os animais.

Os Porcos de Orwell

Fazer discursos maniqueístas, do tipo “quem não é da minha turma não presta” é o mais puro preconceito político troglodita. O debate político brasileiro precisa amadurecer muito ainda para se tornar mais realista e sintonizado com as necessidades e problemas reais das famílias, das comunidades e das pessoas que as constituem.

A esquerda festiva outorgava a si o monopólio da ética, da luta pelo fim da miséria e da independência do capital. Acreditar que a esquerda é mais ética ou menos ética que a direita não passa do mais puro preconceito político, não podemos ser ingênuos ao ponto de acreditar que um político é melhor ou pior que o outro por causa de suas cores ideológicas. É como acreditar que católicos são melhores que protestantes, ou vice-versa, evidente que esta discussão é absurda.

A imprensa, que o PT hoje acusa de “burguesa”, como se ainda existisse burguesia, repetidamente defendeu e acolheu aos petistas, muitas vezes descritos, em nossa crônica política, como os mocinhos do embate pelo poder; o Davi vermelho contra o Golias do capitalismo multinacional imperialista. Quem nunca ouviu ou leu alguma balela deste tipo nas entrelinhas do jornalismo político brasileiro?

Assim como no livro “Animal Farm”, de George Orwell, os petistas se revelam os verdadeiros porcos da metáfora orwelliana. Agora os nossos neo-socialistas-de-boutique, com suas camisetas de Che e bonezinhos do exército vermelho maoista enfrentam a realidade política nacional brasileira, a administração de um país da complexidade do Brasil. Esta administração só consegue ser feita razoavelmente com muito bom senso e descentralização, ouvindo-se as diferentes vozes nacionais e com a coalizão de todos em torno de um projeto de desenvolvimento nacional bem fundamentado e feito em coautoria com técnicos de alto nível especializados nas mais diversas áreas.  

Mas isto está totalmente fora do horizonte político brasileiro. Não temos um projeto de país, ou proposta estratégica de desenvolvimento nacional. O governo Lula/Dilma, ao estilo bombeiro, se ocupa mais em apagar incêndios do que em articular as forças produtivas para darmos o salto e nos tornarmos um país desenvolvido, o que faz tanto tempo se espera. Esta promessa corre sérios riscos de não acontecer sob a égide petista.

Mesmo sabendo que Carlos Chagas é o autor de excelentes textos, me dou ao luxo de discordar deste grande colunista (abaixo transcrito). Os petistas não estão “ficando iguais aos outros” políticos, como afirma Chagas, talvez em nenhum outro momento de nossa história política eles conseguiram ser tão “eles mesmos”, sua essência é isso que vemos na “confusão” referida pelo colunista. Discursos baratos, atitudes bombásticas e irresponsáveis e muito apelo populista para justificar uma insaciável busca do poder pelo poder, sem rumo, sem projeto e fortemente marcado pelo preconceito troglodita contra qualquer um que não esteja de estrela vermelha no peito. Segue o texto de C. Chagas compartilhado na Tribuna da Internet.

“Todos animais são iguais, mas alguns animais são mais iguais que outros.” (Compartilhado do truedemocracyparty.net)

A fatalidade nas queimas de arquivo
por Carlos Chagas

São milhares os casos de queima de arquivo em nossa história. Aliás, da história do mundo inteiro. Vamos ficar em três exemplos recentes. Em 1962 Gregório Fortunato estava para ser libertado em poucos dias, por ato do presidente João Goulart. Em 1954 mobilizara a Guarda Pessoal da presidência da República, que chefiava, para tentar assassinar o jornalista Carlos Lacerda, responsável por impiedosa campanha contra o presidente Getúlio Vargas. Identificado, Gregório viu-se condenado a mais de vinte anos de prisão.

Gregório jamais abriu a boca para revelar se havia um mandante ou se o atentado onde morreu um oficial da Aeronáutica fora de sua iniciativa. Prestes a ganhar a liberdade, teria manifestado o desejo de contar tudo e revelar a quem obedecia, ou quem o havia estimulado. Morreu esfaqueado na Penitenciária Lemos Brito por um preso meio débil mental, incapaz de revelar o porquê de seu ato.

Um corte na história nos leva ao assassinato de PC Farias, o caixa de campanha de Fernando Collor, responsável pelas contas pessoais e familiares do então presidente da República, óbvio achacador dos meios econômicos e financeiros da época. Poucos empresários escaparam de sua coleta milionária. Denunciado e condenado, conseguiu sair clandestinamente do país, passando a viajar pelo mundo. Identificado na Tailândia, foi recambiado para o Brasil, ficando algum tempo na prisão, beneficiando-se em seguida para estabelecer-se em Alagoas. Lá, foi morto por uma namorada recente, que se suicidou em seguida. Pairaram dúvidas sobre os policiais militares encarregados de sua segurança, mas nada foi apurado. Crime passional, concluíram.

Não faz pouco mataram o prefeito de Santo André, Celso Daniel, um dos companheiros mais chegados ao Lula, recém-eleito presidente. O caso foi dado como crime comum, ele teria sido vítima de latrocínio, um assalto seguido de morte. Ampla cortina de fumaça envolveu o episódio, inconcluso como os outros dois referidos. Cheio de buracos, como agora levanta Marcos Valério, operador do mensalão e já condenado a 40 anos de prisão. A República vai tremer, se o publicitário vier a falar o que sabe e o que viu, como anuncia num dia para desmentir no seguinte.

É preciso tomar cuidado com as coincidências. Mesmo estando em liberdade, pois sua sentença ainda não transitou em julgado, Valério assemelha-se a um arquivo vivo. Não pela lei, mas pela natureza das coisas, o Supremo Tribunal Federal é responsável por sua segurança. Adianta pouco imaginar que se já estivesse preso, estaria imune a atentados. Basta lembrar o que aconteceu com Gregório Fortunato. De qualquer forma, cabe ao poder público zelar pela vida dos cidadãos. Depois, quando as coisas acontecem, e como acontecem, a palavra fica com os ingênuos e com os outros, para os quais tudo não passou de fatalidade.

CONFUSÃO

A confusão é geral no acampamento dos companheiros, ora inclinados a declarar guerra ao Supremo Tribunal Federal, ora contidos pelo bom-senso do ex-ministro Márcio Thomas Bastos. Chegaram a sustentar que a presidente Dilma Rousseff não deveria comparecer à cerimônia de estado da posse de Joaquim Barbosa como presidente da mais alta corte nacional de justiça. Prevaleceu o bom-senso, ela cumprirá o protocolo, mas nem por isso acalmou-se o PT.

O alvo agora é a mídia, que estaria estimulando os julgadores do mensalão a não pouparem os mensaleiros, como se fosse possível influenciá-los. Pensam em ressuscitar a proposta de controle estatal sobre os meios de comunicação, apesar de excessos aparecerem diariamente nas primeiras páginas dos jornais. Jogam os petistas, pela janela, montes de serviços prestados ao país, o maior dos quais foi surgirem como valor diferente dos demais partidos. Estão ficando iguais, ou já ficaram…

Fonte: Tribuna da Internet

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Written by onyxlorenzoni

novembro 6, 2012 às 4:04 pm

Uma resposta

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  1. A título de contribuição e corroborando com seu seu texto.
    Máfia gramsciana
    Olavo de Carvalho

    A cada dia que passa, mais o chamado “debate cultural” brasileiro se reduz a mero debate eleitoral, tudo rebaixando ao nível dos slogans e estereótipos e, pior ainda, induzindo as novas gerações a crer que a paixão ideológica é uma forma legítima de atividade intelectual e uma expressão superior dos sentimentos morais.

    Tão grave é esse estado de coisas, tão temíveis os desenvolvimentos que anuncia, que todos os responsáveis pela sua produção – a começar pelos fiéis seguidores da estratégia gramsciana, para a qual aquela redução é objetivo explicitamente desejado e buscado – deveriam ser expostos à execração pública como assassinos da inteligência e destruidores da alma brasileira.

    Para Antonio Gramsci, a propaganda revolucionária é o único objetivo e justificação da inteligência humana. O “historicismo absoluto”, um marxismo fortemente impregnado de pragmatismo, reduz toda atividade cultural, artística e científica à expressão dos desejos coletivos de cada época, abolindo os cânones de avaliação objetiva dos conhecimentos e instaurando em lugar deles o critério da utilidade política e da oportunidade estratégica.

    É idéia intrinsecamente monstruosa, que se torna tanto mais repugnante quanto mais se adorna do prestígio associado, nas mentes pueris, a palavras como “humanismo” ou “consenso democrático” (naturalmente esvaziadas de qualquer conteúdo identificável), bem como das insinuações de santidade ligadas à narrativa dos padecimentos de Antônio Gramsci na prisão, as quais dão ao gramscismo a tonalidade inconfundível de um culto pseudo-religioso.

    Recentemente, um grande jornal de São Paulo, que se gaba de sempre “ouvir o outro lado”, consagrou a Antonio Gramsci todo um caderno, laudatório até à demência, que, sem uma só menção às críticas devastadoras feitas ao gramscismo por Roger Scruton, por Francisco Saenz ou – de dentro do próprio grêmio marxista – por Lucio Coletti, deixa no leitor a falsíssima impressão de que essa ideologia domina o pensamento mundial, quando a verdade é que ela tem aí um lugar muito modesto e até o Partido Comunista Italiano, com nome mudado, já não fala de seu fundador sem um certo constrangimento.

    Que o jornalismo assim se reduza à propaganda, nada mais coerente com o espírito do gramscismo, o qual não busca se impor no terreno dos debates, do qual não poderia sair senão desmoralizado, e sim através da tática de “ocupação de espaços”, por meio da qual, excluídas gradualmente e quase sem dor as vozes discordantes, a doutrina que reste sozinha no picadeiro possa posar como resultado pacífico de um “consenso democrático”.

    Com a maior cara-de-pau os adeptos dessa corrente atribuirão a um mórbido direitismo esta minha denúncia, sem ter em conta aquilo que meus leitores habituais sabem perfeitamente, isto é, que eu denunciaria com o mesmo vigor qualquer ideologia direitista que tentasse se impor mediante o uso de estratagemas tão sorrateiros e perversos.

    Se no momento pouco digo contra a direita é porque sua expressão intelectual pública é quase nula, não por falta de porta-vozes qualificados, mas de espaço. Os liberais, banidos de qualquer debate moral, religioso ou estético-literário, recolheram-se ao gueto especializado das páginas de economia, o que muito favorece o lado adversário na medida em que deixa a impressão de que o liberalismo é a mais pobre e seca das filosofias. Quanto às correntes conservadoras que ainda subsistem, por exemplo católicas e evangélicas, sua exclusão foi tão radical e perfeita, que hoje a simples hipótese de que um conservador religioso possa ter algo a dizer no debate cultural já é objeto de chacota. Chacota, é claro, de ignorantes presunçosos, que, nunca tendo ouvido falar de Eric Voegelin, de Russel Kirk, de Malcom Muggeridge, de Reinhold Niebuhr ou de Eugen Rosenstock-Huessy, acreditam piamente que não pode existir vida inteligente fora de suas cabecinhas gramscianas, e provam assim ser eles próprios as primeiras vítimas da censura mental que impuseram a todo o País.

    No campo intelectual, atacar a “direita”, hoje, seria mais que covardia: seria coonestar a farsa de que no Brasil existe um debate cultural normal, quando o que existe é apenas o mafioso apoio mútuo de gramscianos a gramscianos, que priva os brasileiros do acesso a idéias essenciais e ainda tem o cinismo de posar de democrático.

    Olavo de Carvalho é autor de “O Imbecil Coletivo: “Atualidades Inculturais Brasileiras”

    Sérgio Gomes Lorenzoni

    novembro 6, 2012 at 6:13 pm


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