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Liberdade | Democracia

Quem tentou calar a CPI do Cachoeira? O que foi dito nela que não pode ser revelado? #abafão @opiniaozh

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LIBERDADE DE IMPRENSA: Crimes contra jornalistas são crimes contra a democracia. Mesmo com a censura sendo proibida por nossa constituição vemos vários casos de censura promovidos pela própria justiça brasileira. Cerceamento de parlamentares, de jornalistas, de cidadãos engajados, estes estão entre os PIORES CRIMES CONTRA A LIBERDADE que um governo pode cometer, e o Brasil sob o PT tem uma longa lista deles.

É importante que se esclareça a opinião pública que o mesmo grupo que fez pressão para que se aprovasse um relatório de duas páginas na CPMI do Cachoeira também quer espalhar a notícia de que a CPMI não serviu de nada, foi uma total perda de tempo e desperdício de recursos públicos. Afinal, o que foi dito nesta CPMI que não pode ser revelado?

QUEM ESTÁ SENDO ILUDIDO?

Com todo respeito ao Grupo RBS, pelo qual tenho muito carinho e admiração e que em sua trajetória  sempre defendeu a liberdade de imprensa e o respeito pelo leitor, até mesmo por esta razão, por ser um admirador do trabalho deste valoroso grupo de comunicadores não posso  me eximir de comentar o editoral de título “A CPI dos Calados”, publicado dia 20 de Dezembro no jornal Zero Hora.

É importante que se esclareça a opinião pública que o mesmo grupo que fez pressão para que se aprovasse um relatório de duas páginas na CPMI do Cachoeira também quer espalhar a notícia de que a CPMI não serviu de nada, foi uma total perda de tempo e desperdício de recursos públicos. Como, por exemplo, afirmou o ínclito editorialista da ZH ontem (20). Ele batizou criativamente a CPMI do Cachoeira de “CPI dos Calados”. Vamos aos fatos publicados na imprensa e que talvez o ocupadíssimo editorialista não tenha tido tempo de pesquisar antes de exarar sua opinião sobre os trabalhos da CPMI do Cachoeira. Mais de 13 mil contas bancárias tiveram seus sigilos quebrados, dos 35 depoentes, 19 ficaram calados e 16 falaram, entre os que falaram esteve o Sr. Luis Antonio Pagot, ex-funcionário do DNIT que nos proporcionou uma das mais longas e interessantes oitivas na qual ele confessou que foi solicitado, pelo tesoureiro de campanha da atual presidente Dilma, a “recolher” doações de campanha das empreiteiras contratadas pelo DNIT.

O banco de dados, diga-se de passagem impressionante, recebido pela CPMI contém 1391 documentos, entre os quais estão evidências claras de que a Delta Construções (a empreiteira do PAC) lava dinheiro com pelo menos 18 empresas laranjas e que a monta dos recursos desviados nestas operações já alcança quase meio bilhão de reais, com tentáculos em todas as esferas do poder em vários estados da federção. A CPMI foi palco de embates partidários, é verdade, mas nela também se viu surgir um grupo de parlamentares, que ficaram conhecidos como os independentes, que de forma clara esteve comprometido com o avanço da investigação para além do que as operações Vegas e Monte Carlo alcançaram. Também foram depoentes que falaram muito e de forma esclarecedora promotores de justiça e policiais envolvidos com estas investigações, na CPMI eles puderam comentar sobre suas percepções em relação a Carlos Augusto Ramos (o Cachoeira) e o todo poderoso Fernando Cavendish, da Delta Construções, confirmando que a operação por eles coordenada está em pleno funcionamento. A organização criminosa que envolve Cachoeira e Cavendish, e que hoje rapina os cofres públicos, foi em muitos momentos exposta nos trabalhos da CPMI, seja em oitivas ou através de prova documental.

Não é de forma alguma razoável ou verdadeiro afirmar que “Os deputados e senadores integrantes da CPI do Cachoeira perderam tempo, desperdiçaram dinheiro público e iludiram o país durante oito meses” como escreveu o editorialista da ZH. A base do governo tentou com todas as forças blindar e apresentar uma pizza gigante como resultado desta CPMI, e concordo, é absurdo, para não dizer ridículo, diante de tantas provas apresentar um relatório de uma página e meia, mas este não foi o único resultado da CPMI e nem ela ficou restrita ao mero embate partidário. Pode demorar vários anos até que os que hoje estão formando quadrilhas dentro do governo para desviar recursos através da Delta Construções venham a pagar por seus crimes, entretanto minha dúvida é zero de que mais cedo o mais tarde ao Brasil será revelado a verdade e estes criminosos serão devidamente julgados e condenados.

Cabe lembrar que o inquérito iniciado na CPI dos Correios, da qual fui sub-relator, só veio a ter um desfecho sete anos depois, prazo ao longo do qual aconteceu uma longa investigação, julgamento e condenação. O mesmo deve acontecer no caso da CPMI do Cachoeira. Áqueles que insistem em dizer que a CPMI do Cachoeira não fez nada só posso pedir, meçam suas palavras e sejam condizentes com a verdade ou no mínimo podemos suspeitar que sua opinião foi motivada pelos mesmos interesses que levaram a se aprovar o pífio e nada representativo relatório chamado “alternativo”, com duas páginas, apresentado pelo deputado Luiz Pitiman (PMDB/DF).

Se em alguns anos o núcleo de poder que hoje opera o esquema Cachoeira-Cavendish estiver sendo julgado e condenado o editorial abaixo transcrito será uma das peças a compor o rol de tentativas de abafar o escandaloso desvio de verbas que hoje se tenta ocultar da opinião pública.

Seguem a transcrição do Editorial da ZH, links relacionados e informações mencionadas neste artigo publicadas na imprensa.

A CPI dos calados
Os deputados e senadores integrantes da CPI do Cachoeira perderam tempo, desperdiçaram dinheiro público e iludiram o país durante oito meses numa investigação parlamentar que se restringiu à mesquinhez de confrontos partidários e tentativas frustradas de incriminar adversários políticos. O resultado não tinha como ser mais deplorável: um relatório alternativo de uma página e meia, que simplesmente devolve a tarefa de investigar ao Ministério Público e à Polícia Federal. São justamente os órgãos que denunciaram o esquema de corrupção comandado pelo empresário da área de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, cujos tentáculos se estendiam a agentes privados e públicos, incluindo políticos de partidos de dentro e de fora do governo, entre os quais dois governadores. Por isso, a CPI restringiu-se o tempo todo a um embate entre representantes da base aliada e da oposição, cada lado acusando os oponentes e tentando blindar seus correligionários. Em consequência, o processo só contribuiu para desgastar ainda mais esse mecanismo, lançando uma sombra de desconfiança sobre o parlamento.

Lamentavelmente, quem mais sai prejudicado, mais uma vez, é a sociedade de maneira geral, pois a conclusão dos trabalhos só interessa a uma parcela ínfima, constituída por representantes da iniciativa privada e do setor público interessados na obtenção de ganhos financeiros com a política. Baseada nas informações obtidas pela Polícia Federal nas Operações Vegas e Monte Carlo _ que resultaram na cassação do senador Demóstenes Torres por suas ligações íntimas com o empresário da área de jogos _, a CPI que se encerra sem um indiciamento sequer surgiu com a pretensão de desviar a atenção do julgamento do mensalão.
Bastou a constatação de que as ramificações do esquema eram demasiado amplas, atingindo em cheio também aliados da base de apoio político ao governo federal para esfriar as pretensões iniciais. Parlamentares governistas e de oposição se uniram e o relatório inicial, de 5 mil páginas, envolvendo de políticos a jornalistas, minguou para menos de duas folhas. As fotos mostrando integrantes da CPI com pilhas de papel à sua frente na melancólica sessão de encerramento dos trabalhos confirmam o grau de encenação de muitos integrantes do Congresso e dão uma dimensão dos prejuízos bancados pelos contribuintes.
Infelizmente, o corporativismo e a convergência de interesses alheios à boa política entre parlamentares da situação e da oposição, escancarados na CPI do Cachoeira, contribuíram para desgastar ainda mais não só esse tipo de apuração como o próprio Congresso. Não é admissível que deputados e senadores possam perder tanto tempo frente a suspeitos que se limitam a exercer o direito de ficar calados diante de questões para as quais a sociedade exige respostas ou a fazer jogos de cena que só contribuem para transformar ainda mais o instrumento democrático da CPI em palco de teatro sob a luz de holofotes.

Fonte: ZH Opinião

(Fonte: G1)

(Fonte: G1)

Links relacionados:

http://wp.clicrbs.com.br/opiniaozh/2012/12/20/editorial-a-cpi-dos-calados/?topo=13,1,1,,,13

http://g1.globo.com/bom-dia-brasil/noticia/2012/12/cpi-do-cachoeira-e-concluida-sem-pedir-indiciamento-de-suspeitos.html

http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/12/cpi-aprova-encaminhamento-de-dados-sigilosos-ao-ministerio-publico.html

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