Blog do Onyx

Liberdade | Democracia

Boato do Bolsa Família parte 2: encenação orquestrada ou neo-aloprados voluntariosos

leave a comment »

Marcelo Camargo/ABr

Marcelo Camargo/ABr

Esse nebuloso episódio do boato sobre o fim do bolsa família tem trazido à tona questionamentos muito interessantes. Dilma, Lula, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e o presidente nacional do PT, Ruy Falcão, se apressaram em condenar o boato e a “gente do mal” que o disseminou. Em um afã servil, a ministra Maria do Rosário atribuiu à oposição e depois tentou caracterizar sua acusação como “singela opinião”. Também tentou justificar sua afirmação como algo que não tivessse relação política, como se uma ministra de Estado, acusando a oposição de divulgar um boato, não fosse um ação política.

 Então, a polícia federal revela que uma empresa de telemarketing no Rio de Janeiro poderia ter sido usada ara divulgar o boato. Era o ingrediente que faltava para sustentar a descabida tese de uma “ação orquestrada”. Mais uma vez, ergue-se a colcha de retalhos de argumentos para tentar encobrir os fatos. Até o momento, a Polícia Federal não divulgou nada além dessa constatação vaga.

 Bom, no dia seguinte, a Folha de São Paulo revelou que, por alguma razão não sabida, a Caixa realizou os pagamentos do bolsa família de uma vez só, em vez de usar a forma escalonada, que tradicionalmente usava. E o fez um dia antes do boato ser difundido. Mais uma vez, argumentos esfarrapados são postos ao ridículo. A explicação foi de que o motivo do pagamento antecipado foram “melhorias no cadastro de informações sociais”. Não precisamos desse tipo de melhorias, nem desse tipo de afronta a nossa inteligência.

 Por fim, como ápice do deboche e da teoria da conspiração, fica a seguinte pergunta: De que forma a oposição teria acesso aos dados cadastrais do Bolsa Família para realizar uma ação de telemarketing direcionada a seus usuários?

 Ficam muitas dúvidas sobre esse episódio. Mas o principal é: se houve uma ação arquitetada, foi por parte de quem? Estou aguardando para ver qual será a nova a desculpa estapafúrdia, que virá para justificar que não houve uma orquestração por parte do governo. Esse episódio me lembra quando Lula atribuiu a “aloprados” o dossiê produzido para tentar envolver José Serra em um escândalo durante a campanha. Parece que os voluntariosos “aloprados” voltarão a ser usados como boi de piranha. O que alias seria uma zombaria requentada com os tolos de plantão.

=======================================================================

Vale a pena ler o texto abaixo.  Um apanhado preciso desse episódio escrito por Ricardo Noblat.

=======================================================================

Uma mentira engole a outra, que engole a outra, por Ricardo Noblat

O que foi que na semana passada a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, atribuiu à central de notícias da oposição?

O que Dilma, por sua vez, chamou de “desumano e criminoso”?

Lula, de ação praticada por “gente do mal”?

José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, de “manobra orquestrada”?

E Ruy Falcão, presidente nacional do PT, de “terrorismo eleitoral”?

No sábado 18, e no dia seguinte em 13 estados, um milhão de clientes do programa Bolsa Família invadiu agências lotéricas para sacar suas mesadas fora do dia marcado. Boatos davam conta de que o programa seria extinto ou suspenso. Ou que Dilma autorizara o pagamento de um bônus.

Houve quebra-quebra. A polícia foi acionada.

Ministra Maria do Rosário

 A ministra Maria do Rosário corrigiu-se poucas horas depois de ter pendurado na conta da oposição as consequências dos boatos. Qualificou de “singela” sua própria opinião – não mais do que “singela”. E garantiu com a inocência que Deus lhe deu: “Não quero politizar”.

Ora, ora, ora…

Quem por meio de uma “manobra orquestrada” poderia fazer “terrorismo eleitoral”?  Aliados do governo? Claro que não.

Uma vez politizado o episódio, politizado está. Só que aos poucos ameaça se voltar contra o governo. Na melhor das hipóteses teria sido um caso de má gestão polvilhado com mentiras.

Entre as tardes do sábado e do domingo, quando pessoas em desespero se empurraram e depredaram agências lotéricas na caça ao tesouro do Bolsa Família, dois gerentes regionais da Caixa Econômica sugeriram que um erro do sistema de pagamento seria o responsável pela liberação do dinheiro em desacordo com o calendário do programa. Um deles, Hélio Duranti, do Maranhão, foi preciso.

“Os boatos surgiram após um atraso no pagamento do benefício ocorrido em todo o país. A situação foi normalizada, mas muita gente procurou os caixas eletrônicos ao mesmo tempo e o dinheiro acabou”, disse ele. “Quem não encontrou ficou revoltado e quebrou os caixas”.

A ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social, preferiu observar: “Não existe qualquer motivação para que a gente pudesse gerar esse tipo de intranquilidade para a população”.

Será?

A direção da Caixa Econômica atravessou a semana negando que tivesse mexido no calendário de pagamento. Até que na última sexta-feira, a Folha de S. Paulo encontrou em Caucaia, região metropolitana de Fortaleza, a dona de casa Diana dos Santos, 34 anos. Na sexta anterior ela fora a um caixa eletrônico sacar os R$ 32,00 do Bolsa Família referentes a abril. Ao inserir seu cartão, sacou os R$ 32,00 de abril e os R$ 32,00 de maio.

“Recebo o Bolsa Família há anos e nunca pagaram antecipadamente”, comentou Diana. “Acho que outras pessoas receberam também, avisaram aos conhecidos e virou essa confusão”.

A Caixa inventou então outra história depois que se desmanchou no ar a história que ela vinha contando. Soltou uma nota dizendo:

– A Caixa Econômica esclarece que vem realizando, desde março, diversas melhorias no Cadastro de Informações Sociais. Em consequência desse procedimento, na sexta-feira (17), primeiro dia do calendário de pagamentos de benefícios do Bolsa Família do mês de maio, o banco disponibilizou o saque independentemente do calendário individual.

O pagamento é feito levando-se em conta o último número do cartão magnético de cada bolsista. A Caixa liberou o dinheiro para pagar de vez a todo mundo, mas não avisou a ninguém. De resto, não explicou como uma operação dessa natureza pode melhorar seu Cadastro de Informações Sociais.

É razoável desconfiar que a Caixa mentiu outra vez.

Para mudar o sistema de pagamento do Bolsa Família permitindo saques em  outras datas, o Conselho Deliberativo da Caixa teria de ser obrigatoriamente consultado – e não foi, segundo me contou um dos seus membros. Ou informado – e também não foi.

A Caixa esconde que houve uma falha no sistema, o que tornou possíveis os pagamentos fora de hora.

No dia em que a Folha pegou a mentira da Caixa, uma fonte da Polícia Federal, mediante a garantia prévia de anonimato, revelou ao O Globo em Brasília que fora localizada  no Rio de Janeiro a central de telemarketing responsável pela difusão dos boatos.

Não disse o nome da central. Nem do seu proprietário. Não disse quem a contratou. Nem como a central teve acesso aos números de telefones de inscritos no Bolsa Família.

Sem acesso aos números de telefones como a central poderia disseminar boatos?

Enquanto a Polícia Federal não revelar o nome da empresa e não apresentar o criminoso que encomendou o serviço, sobreviverá a suspeita de que ela mente para livrar a cara da Caixa Econômica.

Anúncios

Written by onyxlorenzoni

maio 28, 2013 às 11:39 am

Publicado em ### artigos

Tagged with , , , , ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: