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Para Onyx, Lula e Dilma levaram o País a ‘uma década perdida’

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Publicado no Jornal do Comércio 16/09/2013 – Texto de Alexandre Leboutte

Presidente estadual do DEM e secretário-geral da sigla no diretório nacional, o deputado federal Onyx Lorenzoni não poupa críticas aos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, classificando-os como “uma década perdida” para o País, que teria deixado escapar o bom momento da economia internacional, pecando pelo excesso de gastos. E relativiza o sucesso eleitoral petista – que reelegeu Lula e fez sua sucessora, comparada a um “poste” na eleição de 2010 -, alegando que o eleitor se preocupa “com o dia a dia” e que “é a economia que decide”.    capa jornal do comercio

O parlamentar também reclama ter havido um movimento de estímulo ao fisiologismo partidário, com a cooptação de lideranças da oposição pelo governo federal, citando a criação do PSD pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, que deixou o DEM, levando com ele vários quadros do partido. Onyx lembra que muitas pessoas apostaram que o “Democratas ia acabar”, mas diz que a sigla segue “fazendo uma oposição frontal ao desgoverno que o PT faz no Brasil”, e que 2014 será “o ano do renascimento”, projetando dobrar o número de deputados federais.

Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, também comenta a existência de uma divisão interna no DEM sobre o rumo a tomar na disputa à presidência da República, com um grupo alinhado ao líder da sigla na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado, que defende o apoio a Eduardo Campos (PSB), enquanto outras lideranças, incluindo o próprio Onyx, desejam a composição com Aécio Neves (PSDB).

No Estado, ainda não haveria uma tendência, mas Onyx sugere a possibilidade de apoio a uma candidatura do PDT, caso o deputado Vieira da Cunha seja candidato ao governo gaúcho.

Jornal do Comércio – O líder do DEM na Câmara dos Deputados, Ronaldo Caiado, disse que o partido se encaminha para apoiar Eduardo Campos (PSB) na eleição presidencial do ano que vem. É isso mesmo?

Onyx Lorenzoni – Sim e não. Nós tomamos uma decisão, em janeiro, que era de priorizar ao longo de todo ano a preparação das eleições proporcionais. O nosso foco no presente momento é a construção dos palanques regionais e a montagem das nossas nominatas para deputado federal e senadores.

JC – Por quê?

Onyx – Porque o DEM sofreu um ataque violentíssimo em 2010, comandado pelo próprio presidente Lula, que pessoalmente comandou o processo para tentar inibir a eleição de vários de nossos líderes nacionais, e depois nós tivemos o último movimento fisiológico, que foi o prefeito (Gilberto) Kassab migrando com uma série de ex-líderes do partido (quando criou o PSD) para a base do governo Dilma (Rousseff, PT). Então, esses dois movimentos fizeram com que muitas pessoas no Brasil apostassem que o Democratas ia acabar, que o velho PFL tinha chegado ao fim da linha, o que não foi verdade. Ficamos com 28 deputados na bancada na Câmara Federal, mas talvez os 28 melhores da Câmara Federal. Não abrimos mão, nenhum minuto, de fazermos uma oposição frontal ao desgoverno que o PT faz no Brasil, às mentiras que a presidenta Dilma aplica no Brasil e também à face do governo Tarso Genro (PT) aqui no Rio Grande do Sul, um governo que inaugura promessa.

JC – E o apoio a Eduardo Campos?

Onyx – Temos duas propostas de candidaturas presidenciais com simpatizantes dentro do DEM. Há uma linha, realmente, mais concentrada no Nordeste, com apoio de peso do deputado Ronaldo Caiado, que é do Centro-Oeste, é de Goiás, para o Eduardo Campos. E tem um grupo importante também, onde me incluo, que são as pessoas que são amigas do Aécio (Neves, PSDB), têm simpatia pelo Aécio, que desejam a manutenção da aliança com o Aécio. E tem uma terceira possibilidade ainda, que é uma expectativa que o partido sempre nutriu, que é de eventualmente ter uma candidatura própria.

JC – Quando será definido?

Onyx – Entre fevereiro e março.

JC – Qual a tendência hoje?

Onyx – Se a decisão fosse hoje, Aécio ganharia, sem dúvida.

JC – Como estão se desenhando as alianças do DEM aqui no Estado para 2014?

Onyx – Estamos conversando. Temos boas relações com todos os partidos. Temos um pré-acordo, que está em construção, dentro da coerência com a posição nacional do Democratas, com PSDB e PPS, com possibilidade de estarmos juntos para as eleições proporcionais, deixando para o ano que vem a decisão de que candidato a governador nós vamos encaminhar. Mas dialogamos com todo mundo, com PMDB, com PDT, com PP.

JC – Se não houver uma candidatura própria ao Piratini entre DEM, PSDB e PPS, pode-se dizer que o mais provável é apoiar a senadora Ana Amélia (PP)?

Onyx – Não. De jeito nenhum.

JC – Não existe ainda uma tendência?

Onyx – O ex-prefeito de Caxias José Ivo Sartori, por exemplo, é um amigo fraterno nosso. O PMDB esteve nessa mesa aqui há dois meses. Não temos definição. E ainda tem uma candidatura que nós torcemos que aconteça, que é um grande amigo nosso, que é o deputado Vieira da Cunha (PDT), que está lutando dentro do partido dele para viabilizar a candidatura. Ele tem grandes amigos dentro do DEM. Se a candidatura do PDT ao governo do Estado se viabilizar, há uma grande possibilidade de nós caminharmos juntos ao PDT.

JC – A oposição no Congresso tem conseguido êxito?

Onyx – Aí tem uma preliminar que as pessoas não conhecem nos detalhes: os números. De 1950 até 2010, se juntarmos por blocos – bloco de situação e bloco de oposição -, o que vamos encontrar? Em 2010, foi a pior eleição para as oposições nos últimos 60 anos no Brasil. Nunca a oposição foi tão diminuta ao sair da urna.

JC – Por que isso aconteceu?

Onyx – Porque nós tivemos um desempenho pífio do nosso candidato, José Serra (PSDB), no primeiro turno da eleição de 2010. No Rio Grande do Sul, a Dilma bateu o Serra por 500 mil votos de diferença.

JC – E no segundo turno?

Onyx – Quando houve a união da oposição no segundo turno, nós viramos a eleição e ganhamos no Rio Grande do Sul por 60 mil votos de diferença. Ou seja, em 23 dias nós viramos no Rio Grande do Sul praticamente 600 mil votos. Num eleitorado politizado, num eleitorado que dificilmente troca de voto.

JC – Qual é a explicação para essa virada?

Onyx – O candidato mudou a postura no segundo turno, foi para o enfrentamento e passou a defender as bandeiras que uma parcela importante da população deseja verem aplicadas no Brasil. Se tivéssemos no primeiro turno o perfil de disputa que tivemos no segundo, isso em todo Brasil, o resultado seria diferente, mas não foi. O que aconteceu é que hoje o governo Dilma tem uma base de sustentação com 430 deputados federais, em 513 possíveis. Temos 90 deputados de oposição, dos quais apetite para o enfrentamento têm 20. Para cada voz da população que se levanta, o governo têm quatro no mínimo para tentar abafar. Então, por isso que é tão difícil fazer oposição aqui no Brasil.

JC – Como avalia o governo Dilma?

Onyx – É uma década perdida. O Lula e a Dilma fizeram um “governo cigarra”. Quando o mundo deu uma oportunidade raríssima ao Brasil, um país que é alicerçado em commodities, com minério e alguns alimentos, como soja, carne bovina e suína… É isso que sustenta nossa capacidade de exportação e a balança comercial brasileira, apesar dos ataques ideológicos e doutrinários que o PT comete contra o agronegócio, que é uma indignidade e algo incompreensível. Não é racional, é caso para psiquiatria, mas, de qualquer forma, no momento que o mundo nos deu oportunidades do Brasil ter grandes ingressos de capitais, que vieram aqui para participar desse surto de crescimento, quando amplas camadas de população, principalmente do Oriente, entraram no mercado de consumo, pararam de comer gafanhoto, grilo e perninha de sapo -, e querem comer um bom filé, uma carninha de frango, que o Brasil tinha em fartura, com qualidade e a bom preço para exportar. Bom, nesse momento era o momento de o PT ter feito o “governo formiga”.

JC – Como assim?

Onyx – Desde pequeno, aprendi que não se pode gastar o salário todo do mês. Um pouquinho tem que guardar. Tu não sabes o dia de amanhã. E o governo do PT sempre administrou o Brasil como se não houvesse amanhã. É por isso que temos uma brutal dívida interna. É por isso que os brasileiros estão endividados. É por isso que as famílias brasileiras têm um alto grau de comprometimento de sua renda, principalmente as famílias que vão até cinco salários-mínimos. Os aposentados brasileiros estão todos endividados. E quem é que fomentou isso? Foi o governo.

JC – Se foi uma década perdida, como Lula conseguiu se reeleger e eleger sua sucessora, que era comparada a um poste?

Onyx – Temos que diferenciar a análise de governo de médio prazo e o dia a dia. O que acontece em qualquer país do mundo, e tem até aquela célebre frase do consultor americano, “é a economia que decide”. As pessoas decidem de acordo com o seu dia a dia. Vivíamos um boom econômico no mundo. Vivíamos um processo em que o setor primário – e o setor que beneficiava o setor primário – estava em amplo desenvolvimento, e tivemos pleno emprego no Brasil.

JC – Como analisa os movimentos de junho? 

Onyx – Foram majoritariamente contra os governantes. Eles foram às ruas porque não aguentam mais a incompetência, a falta de estrada, de hospital, de saúde, de segurança.

JC – Não percebeu uma crítica aos partidos naquele momento?

Onyx – Mas isso é óbvio que tem que ter. Um Congresso que não se dá o respeito, que é vassalo do governo federal. Presidentes da Câmara e do Senado que são meros agentes a serviço do governo petista. Um governo que feudalizou ministérios. Os ministérios são entregues com porteira fechada com licença para roubar, quem é que vai acreditar nisso? É óbvio que as pessoas têm que estar fartas disso.

JC – A reforma política pode auxiliar a melhorar o País?

Onyx – Pode, mas o governo não quer. É como a reforma tributária, que o governo fala, fala, mas não quer.

JC – Quais são os principais pontos da reforma política que o senhor defende?

Onyx – Defendo voto livre, porque eu acho que o voto obrigatório não tem nenhum sentido no Brasil. O voto é um direito, portanto, não acredito em direito a cabresto. Então, voto distrital, financiamento apenas para os partidos. Ou seja, as doações só podem ser feitas aos partidos políticos e os candidatos só recebem dinheiro dos partidos. Daí, no caso do Rio Grande do Sul, 30 auditores fiscais do TCE e 30 promotores de Justiça acompanham as eleições por 60 dias. Teremos as eleições mais simples, mais limpas e mais controlados da história.

JC – O financiamento por empresas deve ser mantido?

Onyx – Não vejo problema nenhum se tiver controle.

JC – Como avalia o governo Tarso Genro?

Onyx – Ah, é governo que não faz. Eu estou convencido disso. Grande expectativa no início, devido ao tal alinhamento das estrelas, que foi a marca da proposta eleitoral. Ia ser uma maravilha para o Rio Grande do Sul. Até hoje, o fundamental, que era renegociar o pagamento da dívida, que o Estado já pagou mais do que devia… É isso que eu não entendo nos petistas… Já que o Brasil está livre do FMI, por que não vai lá no FMI, pega um pouco de dinheiro? Qual é o problema? E prolonga a dívida dos estados, baixa o comprometimento com a receita e deixa os estados investirem, já que o governo federal é incompetente.

JC – Qual o tamanho do DEM no Estado?

Onyx – Devemos ter 75 mil filiados. Temos 117 vereadores, nove prefeitos, nove vices, um deputado estadual e um deputado federal.

JC – E no Brasil?

Onyx – O partido está vivíssimo no Brasil todo. Temos chance de fazer de dois a três governadores, entre 40 e 50 deputados federais, entre 10 e 12 senadores. Voltamos para a briga.

JC – Então, 2014 será um ano…

Onyx – O ano do renascimento. O Democratas nunca se entregou. O DEM não se rendeu, não se vendeu, não abriu mão de suas convicções.

JC – Por que o deputado Natan Donadon não foi cassado?

Onyx – Porque foi feito um acordo entre o PT e o PMDB e parte do PP nacional para fazer um teste para ver se dava para livrar a cara dos mensaleiros. Simples assim.

Perfil

Onyx Dornelles Lorenzoni nasceu em Porto Alegre e tem 58 anos. É veterinário formado pela UFSM, com pós-graduação na Universidade da Califórnia (Estados Unidos). Seu contato com a política se intensificou depois que se formou em Veterinária e integrou a diretoria de diversas instituições da profissão. Com a sua atuação em entidades de classe, surgiu o convite para se filiar ao Partido Liberal (PL) em 1987. Ficou por dez anos na sigla e concorreu pela primeira vez em 1990, quando se candidatou a deputado estadual. Em 1992, representou o PL na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Dois anos mais tarde obteve seu primeiro êxito nas urnas ao se eleger deputado estadual. Foi reeleito em 1998, quando já integrava o então Partido da Frente Liberal (PFL). Em 2002, garantiu seu primeiro mandato na Câmara dos Deputados e em 2006 foi reeleito. O PFL mudou o nome para Democratas (DEM) e Onyx concorreu pela legenda em 2008 à prefeitura da Capital. Está no quinto mandato de deputado federal, é presidente estadual do DEM e secretário-geral do diretório nacional do partido. Há 10 anos é considerado um dos 100 deputados mais influentes do Congresso Nacional pelo Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar).

Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=134518

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Written by onyxlorenzoni

setembro 24, 2013 às 2:33 pm

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