Blog do Onyx

Liberdade | Democracia

Archive for the ‘discurso’ Category

Ninguém pode esperar resultado diferente quando faz tudo igual.

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O Brasil acabou de se livrar, com muito custo, de um governo que diariamente atacava o bolso do brasileiro das mais variadas e sujas maneiras. E a Operação Lava-Jato, que faz bem para o Brasil e faz mal para a bandidagem, joga luz e transparência talvez sobre a maior delas, a mistura entre partido e governo, responsável pela infestação de corruptos e incompetentes no Governo Federal, que empurravam mentiras e se serviam da população brasileira.

O PT montou o seguinte tripé: corrupção, incompetência e mentiras. Esse é o tripé do capítulo mais triste da história política brasileira nos últimos 40 anos. E não resta nenhuma dúvida de que Lula é um psicopata e, além de psicopata, um falastrão que produziu uma tragédia de 13 milhões de desempregados, inflação, queda do PIB, queda do IDH.

Estamos livres do lulopetismo, mas ainda vai levar muito tempo para cicatrizar e desintoxicar o Brasil. E o Brasil precisa fazer isso da forma mais rápida possível, com a ajuda da sociedade brasileira e de todos os que estão no governo ou fora dele, para que não se continue recorrendo, Sr. Michel Temer, às práticas perdulárias do governo petista que acabou de ser afastado do poder. É preciso lembrar aos governantes de ontem e aos governantes de hoje que ninguém tem o direito de se servir das pessoas.

Há, hoje, uma série de questões que preocupam muito em relação ao governo Temer. Primeiro, ninguém pode dizer que é contra a reforma da previdência, porque nós precisamos fazer ajustes no sistema previdenciário. O problema é que a proposta apresentada pelo governo é mais do mesmo. Falta transparência nos números, falta a separação entre o que é previdência social e o que é assistência social. Quando se vai analisar, vê-se que o Regime Geral de Previdência é equilibrado: teve superávit consecutivo de 2009 a 2015. Teve déficits, é verdade, de 2001 a 2008, mas o sistema funciona e é equilibrado. Ele se desequilibra porque há mistura indevida entre o que é previdência e o que é assistência social.
E o que faz o Sr. Temer e seu governo? Terrorismo puro! Aliás, essa era uma prática recorrente dos governos petistas. E essa tática, governo Temer, precisa ser abandonada.

Além disso, a novidade da última semana foram os aumentos de impostos ou tributos, como alguns técnicos do governo dizem. Mas o que eles estão fazendo, na verdade, é metendo a mão no bolso e na bolsa do trabalhador e da trabalhadora brasileira, num país que já toma 40% de tudo o que o cidadão e a cidadã produzem. Chega de solução simplista dos mesmos técnicos de transferir às pessoas a conta da sua incompetência e do seu desgoverno.
O presidente Temer precisa governar o seu governo, dar o exemplo, cortar mordomias, reduzir ministérios, cartões corporativos, mostrar verdadeiramente para o cidadão que está tentando fazer algo neste país.

Por fim, eu não votei em Temer. Quem votou na Dilma é que votou no Temer. Meu partido faz parte da base, mas eu defendi internamente que nós o apoiássemos, sem ter cargos. Fui voto vencido. Sou um democrata e respeito a decisão. Continuo no Democratas porque aqui eu tenho a liberdade de me expressar. E, para mim, a liberdade é valor muito caro.

Passei os últimos 14 anos, nesta Casa, combatendo os governos petistas e os seus associados, que levaram o país a essa crise profunda. Sinto-me à vontade para cobrar uma atitude diferente do Governo Temer, cobrar que haja transparência, que se coloque cada coisa no seu lugar e que a conta não recaia no colo dos mais pobres. Não façam como os governos petistas fizeram. Não brinquem com a vida dos brasileiros. O Brasil precisa de um governo que lhe restitua a esperança, mas, acima de tudo, que respeite os brasileiros e as brasileiras. (Discurso do deputado Onyx Lorenzoni na tribuna da Câmara Federal em 28.03.2017)

 

Written by onyxlorenzoni

março 28, 2017 at 11:30 am

A responsabilidade do Parlamento

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Não é possível que, em um Brasil que vive de um escândalo para outro, o Parlamento abra mão da sua responsabilidade de discutir pautas importantíssimas para a vida das pessoas.

O Brasil está vivendo aquela que talvez seja uma de suas mais profundas crises nos últimos 50 anos. Há quase 14 milhões de desempregados. A população brasileira e a vida das pessoas precisam de respostas. Há pautas importantíssimas que devem ser tratadas pelo Congresso Nacional.

Nós aprovamos a maioridade penal, que separa muito bem quem é adolescente de quem é criminoso, e é necessário que o Senado Federal toque adiante essa questão.
Nós aprovamos na Comissão Especial, a revisão do Estatuto do Desarmamento, algo fundamental num País onde o Governo praticamente garante ao bandido que o pai de família, as famílias, as pessoas não tenham condições se defender. Nenhum Governo pode dar ao bandido a segurança de que as pessoas não tenham como se proteger. Por isso, é muito importante que o relatório da Comissão Especial que trata da revisão do Estatuto do Desarmamento venha para o Plenário da Câmara dos Deputados.

Da mesma maneira, é importante lembrar que, depois de aberta a caixa-preta petista, reabriu-se a discussão, importantíssima no Brasil, sobre o pacto federativo. Estados e Municípios brasileiros estão à míngua, numa situação pré-falimentar. Mais de 40% das Prefeituras brasileiras não pagarão salários nem o 13º terceiro salário aos seus funcionários.

Isso é absolutamente inadmissível.

O Brasil precisa rediscutir a Federação brasileira, em respeito à cidadania, em respeito às famílias, principalmente para recuperar a estrutura fundamental, a célula fundamental do País, que é o Município.

Da mesma maneira, o impeachment da Presidente Dilma é apenas o primeiro passo que nós estamos dando para recuperar o País. E, logo depois de superado no Senado Federal de uma vez por todas o afastamento do petismo, esse câncer que infestou o Brasil por mais de 13 anos, vamos poder reabrir discussões fundamentais.
Não é mais possível se ouvir desta tribuna, da tribuna do Senado Federal, nas emissoras de rádio e de televisão a discussão sobre a questão da insegurança dos brasileiros. Famílias inteiras são dizimadas pela morte de filhos, de filhas, de pais e de mães.

O Governo Federal, que recolhe a maior parte dos impostos arrecadados no Brasil, desde a era petista lava as mãos sobre a questão da segurança. O Brasil já teve 40 Ministérios e não teve o ministério da segurança pública. O Brasil mantém ainda um número excessivo de Ministérios, e essa é a minha crítica ao Governo Temer. O Brasil é um País que não precisa de mais do que 15 Ministérios, mas, dentre esses 15, teria que estar o ministério da segurança pública. Não há ninguém no Brasil que consiga viver em paz, por menor que seja a cidade brasileira, por conta da insegurança.

Há pouco se falava aqui do armamento pesado que as quadrilhas têm hoje no Brasil, porque as nossas fronteiras são porosas, e o Governo Federal nada faz. As nossas polícias estão mal equipadas, mal preparadas e mal remuneradas, com raras e honrosas exceções, e o cidadão brasileiro está jogado à própria sorte.
Nós temos que tratar de temas importantíssimos para a sociedade brasileira, para a vida e para a segurança das pessoas, para que se construa uma nova condição de vida que gere felicidade e sustento às famílias.

É revoltante estarmos aqui hoje pela inépcia, pela incapacidade e pela inabilidade do Sr. Waldir Maranhão. O Sr. Waldir Maranhão pode ser uma boa pessoa — eu não tenho nada contra a pessoa física do Sr. Waldir Maranhão, que merece, como todo ser humano, todo o respeito —, mas não se pode admitir o Brasil, no momento de caos que vive hoje, com as dificuldades que vive hoje, ter um Parlamento servindo de joguete na mão irresponsável de uma pessoa que não tem estatura para comandar a Câmara dos Deputados.

Que a Mesa da Câmara dos Deputados decrete a vacância da Presidência e chame novas eleições, para que a Câmara dos Deputados possa, aí sim, dar a resposta que a sociedade brasileira exige e que tem direito de receber dos Parlamentares e da população.

Manifestação em plenário 28/06/2016.

Clique aqui e assista vídeo.

Written by onyxlorenzoni

junho 29, 2016 at 5:05 pm

Os brasileiros e as brasileiras nunca mais aceitarão ser enganados

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Discurso do Deputado Onyx Lorenzoni, às 14h56min de sábado, dia 16 de abril de 2016, na mais longa sessão da história da Câmara Federal. Durante mais de 40 horas e feitos 246 discursos, os deputados discutiram o parecer para abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff.  No domingo, com quórum de 511 parlamentares, apenas dois não compareceram, foi votada e aprovada a instauração do processo por 367 votos a favor e 137 contra.

img20160416185446804419MED“A primeira palavra desta tribuna é contigo, Lula. Tu te lembras do dia 13 de setembro de 2010, na campanha da Dilma, sobre um caminhão em Joinville?
Lula disse: “Precisamos extirpar o DEM da política brasileira!”.
Anota esses nomes, Lula: Abel Mesquita Jr., Alberto Fraga, Alexandre Leite, Carlos Melles, Claudio Cajado, Efraim Filho, Eli Corrêa Filho, Elmar Nascimento, Felipe Maia, Francisco Floriano, Hélio Leite, Jorge Tadeu Mudalen, José Carlos Aleluia, Juscelino Filho, Mandetta, Marcelo Aguiar, Marcos Rogério, Marcos Soares, Mendonça Filho, Misael Varella, Missionário José Olimpio, Moroni Torgan, Onyx Lorenzoni, Pauderney Avelino, Paulo Azi, Professora Dorinha Seabra Rezende, Rodrigo Garcia, Rodrigo Maia e Sóstenes Cavalcante. Esses, Lula, foram os combatentes do bem e os heróis do DEM.
Desde 1º de janeiro de 2003, quando tu assumiste o poder, nós estivemos numa oposição firme ao teu projeto, porque, desde sempre, nós somos completamente diferentes. Nós respeitamos a Constituição. A nossa diferença é como praticamos e pensamos a democracia. Para nós, um valor; para ti e tua gangue, um instrumento de poder e fortuna.
Lula, desonraste a confiança do povo brasileiro! A partir de amanhã, pelo trabalho do Democratas, o teu projeto de poder vai acabar e tu estarás ao alcance do Dr. Sérgio Moro e dos jovens promotores de Curitiba, que resgataram a dignidade e a esperança do povo brasileiro.
Como dizem na minha terra, Lula, deu pra ti!
Agora é contigo, Dilma.
Eu poderia ficar aqui por muito tempo, Deputados, listando toda a sujeira promovida pelos Governos de Dilma, da ELETROBRAS ao DNIT, do BNDES aos fundos de pensão, o petrolão, as denúncias do líder do Governo, Delcídio do Amaral. Roubaram e deixaram roubar, enquanto enganavam as pessoas, com um mundo virtual, paralelo, que só existe na cabeça dos petistas, na propaganda do PT e de seus governos.
O que tu nunca entendeste, Dilma, é que o povo brasileiro te deu uma oportunidade para governar e não uma autorização para iludir, mentir e roubar.
Desde a Carta Magna, as democracias modernas se esforçam para limitar o poder dos governantes, porque esse é um princípio fundamental para defender o bem mais precioso dos cidadãos do mundo todo, que é a sua liberdade.
Com as tuas pedaladas, tentaste roubar esse patrimônio dos brasileiros. Ao quebrar a Lei de Responsabilidade Fiscal, Dilma, destruíste, por um ato de vontade exclusivamente teu, um patrimônio que traz segurança aos brasileiros.
Há 60 anos, a nossa legislação prevê o crime de responsabilidade. Paulo Brossard de Souza Pinto, há 50 anos, ensinou-nos o caminho do impeachment. Miguel Reale Júnior, Hélio Bicudo e Janaina Paschoal fizeram o pedido, e aqui está o relatório Jovair, que vai ser aprovado por ampla e absoluta maioria de mais de 370 votos.
Dilma, acabou! Se te resta, Dilma, alguma dignidade, renuncia, antes que o processo chegue ao Senado Federal, para trazer um pouco de paz a esse povo que tu tanto agrediste com a tua prepotência, com a tua arrogância e com a tua incompetência!
A minha terceira palavra, senhoras e senhores, é direcionada aos gaúchos, às gaúchas e aos brasileiros. Sabem o que nos dá legitimidade para estar aqui neste momento? O maior movimento de massas que já aconteceu no mundo. Seis milhões de brasileiros foram às ruas para pedir o fim deste Governo corrupto, enganador e mentiroso.
Por vocês, brasileiros e brasileiras, estamos aqui, legitimados, e com a Constituição na mão cumpriremos amanhã o nosso dever de dar um basta nessa quadrilha e nesse Governo que infelicita a Nação.
O último recado é àqueles que chegarão ao poder: tenham bem claro que os brasileiros e as brasileiras nunca mais aceitarão ser enganados! A cidadania está na mão das pessoas, o poder está na mão dos brasileiros. Amanhã, a esperança, que foi roubada pelo PT, com a graça de Deus, retornará, e nós poderemos dizer: viva o Brasil e viva os brasileiros! “

Written by onyxlorenzoni

abril 19, 2016 at 4:27 pm

A nova distribuição dos royalties é justa, é legal e diminui as diferenças regionais. #petroleobrasileiro

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O governador do Rio de Janeiro, e os parlamentares do estado, estão inconformados com a distribuição dos royalties para todo o Brasil, esquecem que a prospecção, lavra e extração do petróleo foi feita com dinheiro dos contribuintes de todos os estados, por que somente o RJ iria lucrar com isso? A nova distribuição é justa, é legal e vai beneficiar o Brasil todo reduzindo diferenças regionais.  Os municípios do Brasil precisam destes recursos distribuídos de forma justa. Os estados precisam destes recursos, estão endividados e com dificuldades para investir. Esta distribuição minimiza a centralização de recursos na União Federal e respeita o pacto federativo. Estes recursos são muito desejados por todos, pois os prefeitos e governadores podem usá-los de forma mais autônoma, sem ter que prestar favores (micos) políticos, prática que a presidenta Dilma replica em todos os seus 39 ministérios no “cargo lá, apoio cá” e que caracteriza o seu jeito de governar. O critério que foi aprovado no Congresso Nacional, que optou pelo projeto do Senado Federal, não contempla o acordo espúrio de Dilma com Cabral, que queriam dar uma fatia bem pequena para a distribuição.  Foi uma grande vitória do interesse público, do espírito republicano e da necessidade da maioria sobre acordos palacianos que querem beneficiar alguns e excluir muitos, contrariando a Constituição Federal. É interessante observar que agora os cariocas, capixabas e os assessores da Dilma pararam de tentar empulhar as pessoas com aquela conversa fiada sobre recursos para educação. Os municípios e os Estados já entenderem que pelo critério aprovado no Congresso os recursos podem ser usados em educação, saúde, saneamento, segurança de forma mais autônoma e de acordo com as necessidades de cada região, que são muito diferentes uma da outra.  Se a presidente Dilma vetar o que foi aprovado ela corre o risco muito alto de sofrer mais uma derrota junto a sua base no Congresso, que pode derrubar os vetos presidenciais caso eles prejudiquem a distribuição desta riqueza, que é do Brasil e não só de quem tem vista para o mar. Segue a minha entrevista ao Bom dia Brasil de hoje. 

Clique AQUI e assista reportagem completa no site do G1.

Link do G1: http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/11/entenda-o-que-sao-os-royalties-de-petroleo-e-o-que-muda-com-projeto.html

#STF: O mínimo que poderíamos esperar dos altos magistrados deste país é respeito as leis

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CLIQUE AQUI E ASSISTA EM VÍDEO AO DEPUTADO ONYX LORENZONI NA TRIBUNA.

Transcrição da ÍNTEGRA da manifestação do Deputado Onyx Lorenzoni na tribuna do Plenário Ulisses Guimarães.

Deputado Federal Onyx Lorenzoni na tribuna do plenário Ulisses Guimarães na Câmara dos Deputados (Foto: Sidney Lins)

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados:

Quero iniciar meu pronunciamento lembrando Sans-Souci, o antigo Palácio de Verão do Rei Prussiano Frederico, o Grande, em Potsdam, cidade próxima a Berlim. Pois relata a história que em meados do século XVIII, o rei prussiano, descontente com a existência de um velho moinho que comprometia a visão da bela paisagem que cercava o Castelo de Sans-Souci, decidiu mandar derrubá-lo. O dono do moinho, homem humilde, não cedeu à pressão do rei e impediu que isso acontecesse. Inconformado, o soberano confrontou o homem dizendo que ele era o Rei, que poderia prendê-lo ou confiscar sua propriedade, ou as duas coisas, ou pior, se quisesse, não fosse obedecida sua ordem; ao que o cidadão respondeu, com a confiança das almas simples:  “Ainda há juízes em Berlim!”

Não sabia, naquele momento, se poderia ganhar a causa, mas na sua simplicidade, acreditava na justiça. E recorreu aos juízes. E ganhou, mantendo intacto o seu moinho. Ao contrário do moleiro de Sans-Souci, que acreditava na justiça, cabe-nos hoje perguntar: Ainda há Juízes no Brasil?

A decisão do STF no julgamento da ADI n° 4.795, de que partidos novos, criados após a realização das eleições, integrados por parlamentares que para estes migraram quando de sua fundação, eleitos por outras legendas e sem a legitimidade, devem ter o direito de participar do rateio proporcional do tempo da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão, previsto pela Lei das Eleições, é anômala, para não dizer escabrosa. A decisão do STF, a bem da verdade, não é isolada. Faz parte de um mesmo contexto de politização da justiça, que levou o TSE a acolher o pedido de registro do PSD, sem que o mesmo tivesse as mínimas condições de ser reconhecido como tal. Não por coincidência, o mesmo partido agora beneficiado pela decisão da Corte Suprema.

O conteúdo e a extensão do dano causado pela decisão dos Ilustres Ministros de nossa Corte Constitucional abala um dos pilares mais importantes do nosso sistema institucional, que estabelece o equilíbrio entre os poderes e evita a invasão de competências.  Temos, hoje, um Supremo Tribunal Federal que, não satisfeito em exercer suas atribuições constitucionais, agora quer legislar.  E efetivamente legisla, substituindo o poder legislativo, sem ter obtido qualquer delegação da sociedade para tal.

Podemos dizer sem medo de errar “nem toda a atividade legislativa é parlamentar, mas toda atividade legislativa é essencialmente política”. Quem decide legislar, decide fazer política. A judicialização da política implica na politização da justiça. Ante tais situações e julgamentos contra os quais me irresigno, exercendo as prerrogativas inerentes ao mandato que conquistamos, legitimamente, nas urnas, e que nos são asseguradas pelo artigo 53 da Constituição da República, que estabelece a inviolabilidade civil e penal, dos deputados e senadores por suas opiniões palavras e votos, o qual ainda, felizmente e à bem da democracia, ainda não foi revogado. Para isso tenho imunidade parlamentar para dizer o que ninguém pode dizer, criticar e cobrar, até da Suprema Corte. E legisla o STF, Senhor Presidente, senhoras e senhores Deputados, bafejado por fortes, subalternas e poderosas pressões.  E legisla para exercer um protagonismo político inédito em sua história, e totalmente inadequado à luz da própria Constituição da República.  E legisla, assumindo a função de terceira câmara política da legislação, se sobrepondo ao Senado e à Câmara Federal. E legisla, decidindo fazer política, politizando a justiça, assumindo lado, abraçando uma ideologia, tomando partido.

Nada é mais diferente da tarefa de legislar como a de julgar. O ato de julgar de forma isenta exige motivação fundamentada e escudo na realidade fática, na teoria jurídica e no pragmatismo inerente à ciência jurídica e ao direito. Ao decidir legislar, o STF decidiu fazer política e chamou para si às pressões da sociedade, dos partidos e dos grupos políticos e, dentre estes últimos, aqueles que se encontram no exercício do poder, como o que há nove anos, primeiro com Lula e agora com Dilma, governa o país. Não é uma ilação que faço Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados. Tenho a responsabilidade quem exerce um mandato legítimo e representativo. Meu entendimento corresponde a mais límpida, cristalina e transparente expressão da realidade. Realidade que poucos têm a coragem de expressar, de combater, de resistir.

Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, não se pode exigir outra coisa de um magistrado, esteja ele no mais escondido rincão ou nos mais luxuosos gabinetes das altas Cortes que decida de outra forma que não de acordo com a Constituição, com a lei e com o seu consciente e livre convencimento, que passa longe de qualquer acordo ou compromisso motivado por interesses políticos. A decisão do STF sobre a divisão do tempo na propaganda política oficial está longe de ser uma decisão jurídica, como seria de se esperar, mas é, sim, clara e marcadamente política.

O que fez o STF, decidindo politicamente, foi alinhar-se a um entendimento e aos interesses políticos de um grupo e de um projeto político que, após quase uma década de exercício efetivo do poder, busca tornar-se hegemônico e, o mais grave, sufocar e exterminar a oposição, quando não for possível cooptá-la.

As decisões do STF, via-de-regra expostas em centenas de páginas, ao contrário do que pode parecer, não tem sido jurídicas, mas eminentemente políticas, o que as faz serem modificadas ao sabor das conveniências.  Ao decidir pela fidelidade partidária, acabando com a migração espúria entre partidos e sob o argumento de fortalecer a nossa ainda jovem democracia, decidiu politicamente, ao sabor das pressões de então. Foi uma decisão correta, mas como não foi jurídica, acabou modificado ao soprar do vento das conveniências. Na ocasião, a infidelidade partidária era um dos mais importantes instrumentos do lulo-petismo para esvaziar a oposição, aos moldes do totalitarismo bolivariano que se busca – não vamos nos iludir, esse é o projeto – se implantar no Brasil. A decisão do STF, então, adiou as intenções lulistas, mas não deixou de ser uma verdadeira obsessão do grupo político do ex-presidente e onipresente eminência parda do governo petista.
Movido pelas pressões políticas do bolivarianismo nacional, o STF se arrependeu: e se arrependeu primeiro aceitando o PSD como partido.
Depois legitimou a divisão do tempo de propaganda eleitoral.

O próximo passo, não duvidamos, será a repartição dos recursos do fundo partidário. E, por derradeiro, será tornar realidade o sonho acalentado pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva: eliminar a oposição no Brasil. O projeto político que pretende se tornar hegemônico no Brasil conta, cada vez mais, com a importante ajuda da Corte Suprema do país. É algo que se repete, seguindo o mesmo roteiro já experimentado na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Argentina. O discurso, inclusive, é o mesmo. Na Venezuela, Chávez diz que “a oposição só vai voltar ao poder quando o Sargento Garcia prender o Zorro”. No Brasil, Lula assegura que sairá candidato se o objetivo for evitar a oposição de retornar ao poder. E, a depender das decisões do STF, não podemos duvidar que irá conseguir.

O processo de desconstituição da oposição opera em várias frentes: As CPI’s criadas para investigar a atuação de grupos muito bem definidos dentro do governo acabam direcionadas para atingir a oposição. No parlamento, o processo de cooptação é constante.  O STF, com suas decisões calcadas na defesa dos interesses do grupo político dominante, está criando dois tipos de partido no Brasil. Os que compõe a base do governo são de primeira classe, e tudo podem. Os da oposição, que ainda resistem bravamente, são os de segunda classe.

A estes últimos não são dignos nem dos rigores da lei, que ao menos nos daria a esperança de decisões calcadas na legalidade, mas, ao contrário, são alvo das mais arbitrárias e abusivas decisões dos tribunais, a começar pela nossa Corte Suprema. E aqui nos cabe perguntar, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados: Fosse o PSD um partido da oposição, e sua criação não interessasse ao atual governo, teria o TSE aceito sua criação? Fosse o partido do Senhor Gilberto Kassab um partido de oposição e não um apenas um apêndice, anunciado desde antes de sua criação, da base governista, teria o STF aceito invalidar uma lei que vem regendo as eleições nos últimos 15 anos? A decisão tomada pelo STF soa como total inversão de valores, e não ajuda ao cidadão acreditar na seriedade e efetividade da justiça.  O mínimo que poderíamos esperar dos mais altos magistrados deste país, é que o seu livre convencimento mantenha coerência com a realidade e com a disposição legal, que não pode ser livremente interpretada ao sabor das conveniências pessoais, partidárias e corporativas, sob pena de transformarmos o judiciário em mercado de decisões e consciências.

Todos são atingidos pela decisão equivocada dos ilustres Ministros do Supremo Tribunal Federal, e não apenas as forças políticas e partidárias legitimamente sufragadas pela vontade popular expressa de forma livre nas urnas, tomada em benefício de uma pretensa agremiação, constituída através de acordos sombrios e interesses espúrios.  Com as bênçãos do SFT, estão precificados os deputados federais e está aberto o Bataclã partidário. A partir de agora, o caos virá. A quem servirá?

De 2003 a 2005 – 173 trocas de partido. Esse é o parlamento que queremos? Se cada vez menos temos a convicção do moleiro de Sans-Souci, de que ainda existem juízes capazes de julgar de acordo com a isenção, neutralidade e comprometimento com a justiça e o direito, mais importante se torna não nos calarmos frente a esse tipo de atrocidade cívica. Antes que tenhamos a voz arrancada da garganta, a democracia pisoteada e o Estado de Direito ultrajado, bem em nossa frente. Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, a todos os cidadãos e cidadãs, homens e mulheres deste país, que não se curvam ao abuso e à prepotência, como a expressa pela lastimável decisão do Supremo Tribunal Federal, só há uma mensagem a deixar:

RESISTAM!
– Nós, do DEMOCRATAS, Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, RESISTIREMOS.

Muito Obrigado!

Link para o YouTube: http://www.youtube.com/watch?v=xcNSP1UjJSk

Written by onyxlorenzoni

julho 18, 2012 at 12:11 pm

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